FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2020
Criança com 4 anos de idade, previamente hígida, sem queixas recentes e deixada desassistida em domicilio, é encontrada na garagem se sua casa, desacordada; levada ao pronto socorro sem informações claras do que havia ocorrido. A gasometria revelou: pH= 7,1; pCO2= 12mmHg; HCO3= 8mEq/L; Cl= 104mEq/L; Na= 140mEq/L. Sobre os diagnósticos etiológico e gasométrico mais adequados para o paciente, assinale a alternativa CORRETA:
pH baixo + pCO2 baixo + HCO3 baixo + AG aumentado + pCO2 < esperado → Acidose metabólica com AG aumentado + Alcalose respiratória primária (ex: intoxicação).
A gasometria revela uma acidose metabólica com ânion gap aumentado, indicando acúmulo de ácidos não voláteis. O pCO2 muito baixo, abaixo do esperado para compensação, sugere uma alcalose respiratória primária ou uma compensação respiratória excessiva, frequentemente vista em intoxicações como a por salicilatos, que estimulam o centro respiratório.
A interpretação de distúrbios ácido-base mistos é um desafio comum na residência médica, especialmente em pediatria. A acidose metabólica com ânion gap aumentado, acompanhada de alcalose respiratória primária, é um padrão clássico de certas intoxicações, como a por salicilatos, que estimulam diretamente o centro respiratório e causam acúmulo de ácidos. O cenário clínico de uma criança desacordada sem história clara reforça a suspeita de intoxicação exógena, que deve ser prontamente investigada e manejada. Para o diagnóstico gasométrico, é fundamental seguir uma abordagem sistemática: avaliar o pH (acidemia/alcalemia), o pCO2 (componente respiratório) e o HCO3 (componente metabólico). Em seguida, calcular o ânion gap para a acidose metabólica e verificar a adequação da compensação respiratória. Se o pCO2 estiver fora da faixa esperada para a compensação, um distúrbio respiratório primário coexistente deve ser considerado. O manejo inicial de uma criança com alteração do nível de consciência e distúrbio ácido-base grave envolve estabilização hemodinâmica e respiratória, além de investigação rápida da causa. A identificação de um padrão gasométrico misto como o apresentado direciona a investigação para etiologias específicas, como intoxicações, que requerem intervenções terapêuticas direcionadas e urgentes para melhorar o prognóstico.
Um pH baixo indica acidemia. pCO2 baixo e HCO3 baixo sugerem acidose metabólica com compensação respiratória. No entanto, se o pCO2 estiver mais baixo que o esperado para a compensação, há um distúrbio respiratório primário associado, como uma alcalose respiratória.
O ânion gap (Na - (Cl + HCO3)) ajuda a diferenciar as causas da acidose metabólica. Um ânion gap aumentado sugere acúmulo de ácidos endógenos ou exógenos (ex: cetoacidose, acidose láctica, intoxicações), enquanto um ânion gap normal indica perda de bicarbonato ou excesso de cloreto.
A causa mais clássica de acidose metabólica com ânion gap aumentado e alcalose respiratória primária em crianças é a intoxicação por salicilatos. Outras intoxicações ou condições graves podem levar a distúrbios mistos complexos.
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