Cetoacidose Diabética Pediátrica: Diagnóstico e Gasometria

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

Os distúrbios ácido-básicos são frequentes na prática clínica pediátrica, sendo de suma importância o conhecimento e o manejo correto pelo médico intensivista. Pré escolar, 5 anos, deu entrada no pronto socorro com queixa de rebaixamento do nível de consciência, desidratação grave, respiração de Kusmaull, hálito cetônico, taquicardia e taquipnéia. Glicemia capilar de 400mg/dl e gasometria com pH 7,11; PO2 98 (com 02 em máscara), PCO2 15; Bicarbonato de 7; BE- 19; Na 146; K 3,4. Qual o distúrbio ácido básico desta criança:

Alternativas

  1. A) Alcalose respiratória.
  2. B) Acidose metabólica com ânion Gap reduzido.
  3. C) Acidose metabólica com ânion Gap Aumentado.
  4. D) Alcalose metabólica.
  5. E) Acidose respiratória.

Pérola Clínica

pH ↓, HCO3 ↓, PCO2 ↓ (compensação) + hiperglicemia + cetose = Acidose Metabólica com Ânion Gap Aumentado (CAD).

Resumo-Chave

A gasometria revela acidemia (pH 7,11), bicarbonato muito baixo (7) e PCO2 baixo (15), indicando acidose metabólica com compensação respiratória. A glicemia de 400 mg/dl, hálito cetônico e respiração de Kussmaul são clássicos da cetoacidose diabética (CAD), uma condição que cursa com acúmulo de cetoácidos, elevando o ânion gap.

Contexto Educacional

Os distúrbios ácido-básicos são condições frequentes e potencialmente graves na pediatria, exigindo conhecimento aprofundado para o diagnóstico e manejo. A cetoacidose diabética (CAD) é uma das emergências mais comuns em crianças com diabetes tipo 1, caracterizada por hiperglicemia, cetose e acidose metabólica. O quadro clínico de rebaixamento do nível de consciência, desidratação grave, respiração de Kussmaul e hálito cetônico, associado à hiperglicemia, é altamente sugestivo de CAD. A interpretação da gasometria arterial é crucial para confirmar o distúrbio ácido-básico. Um pH baixo (acidemia) com bicarbonato baixo indica acidose metabólica. A PCO2 baixa reflete a compensação respiratória do organismo para tentar reduzir a acidez. Para diferenciar as causas da acidose metabólica, calcula-se o ânion gap (Na+ - [Cl- + HCO3-]). Na CAD, há um acúmulo de cetoácidos (beta-hidroxibutirato e acetoacetato), que são ânions não medidos, resultando em um ânion gap aumentado. O reconhecimento precoce e a correção adequada da CAD são vitais para prevenir complicações graves, como edema cerebral, e exigem manejo intensivo com fluidoterapia, insulinoterapia e monitorização rigorosa dos eletrólitos e do estado ácido-básico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados na gasometria de uma cetoacidose diabética?

Na cetoacidose diabética, a gasometria tipicamente mostra pH baixo (acidemia), bicarbonato baixo (acidose metabólica) e PCO2 baixo (compensação respiratória). O ânion gap estará aumentado devido ao acúmulo de cetoácidos.

Como calcular o ânion gap e qual seu significado na acidose metabólica?

O ânion gap é calculado por Na+ - (Cl- + HCO3-). Um ânion gap aumentado (normalmente > 12 mEq/L) sugere que a acidose metabólica é causada pelo acúmulo de ácidos não medidos, como cetoácidos, lactato ou toxinas.

O que é a respiração de Kussmaul e qual sua relação com a acidose?

A respiração de Kussmaul é um padrão respiratório profundo e rápido, característico da acidose metabólica grave. É um mecanismo compensatório do corpo para eliminar CO2 (um ácido volátil) e, assim, tentar elevar o pH sanguíneo.

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