FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Homem, 25 anos de idade, no serviço de urgência por sonolência e letargia. Familiares desconhecem uso de qualquer droga ou substância psicoativa ou quadro clínico prévio. Na unidade de internação foram obtidos os seguintes resultados: gasometria arterial: pH = 7,24; pO₂ = 89 mmHg; pCO₂ = 30mmHg; HCO₃ = 15 mEq/L; Cl 123 mmol/L; K = 4 mEq/L; Na = 147 mEq/L. Dentre as opções a seguir, qual se relaciona ao distúrbio ácido- base em questão?
Acidose Metabólica com Anion Gap Normal (hiperclorêmica) → Causas incluem perda de HCO₃ (diarreia, fístulas), acidose tubular renal, ou algumas infecções.
A interpretação da gasometria arterial, incluindo o cálculo do anion gap, é essencial para diagnosticar distúrbios ácido-base. Uma acidose metabólica com anion gap normal (hiperclorêmica) sugere perda de bicarbonato ou excesso de cloreto, diferenciando-a de causas com acúmulo de ácidos.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental para qualquer médico, especialmente em situações de urgência e emergência. Ela permite a avaliação dos distúrbios ácido-base, que podem ser indicativos de diversas patologias subjacentes. A análise sistemática do pH, pCO₂, HCO₃⁻ e, crucialmente, o cálculo do anion gap (AG), são passos essenciais para o diagnóstico correto. A acidose metabólica é caracterizada por um pH baixo e um HCO₃⁻ baixo. O anion gap ajuda a classificar essa acidose em AG elevado (causada por acúmulo de ácidos endógenos, como na cetoacidose diabética, insuficiência renal ou intoxicações) ou AG normal (hiperclorêmica), que geralmente resulta da perda de bicarbonato (ex: diarreia) ou da administração excessiva de cloreto. No caso apresentado, a acidose metabólica com anion gap normal sugere uma perda de bicarbonato ou um excesso de cloreto. Embora a infecção por enterovírus não seja a causa mais clássica de acidose metabólica com AG normal, em um contexto de doença grave (como encefalite ou sepse viral), pode haver desidratação e perda de eletrólitos que contribuam para esse perfil. É vital para o residente dominar essa análise para guiar a investigação etiológica e o manejo terapêutico adequado.
O anion gap (AG) é calculado por Na⁺ - (Cl⁻ + HCO₃⁻). Ele ajuda a diferenciar as causas de acidose metabólica em AG elevado (acúmulo de ácidos não medidos) e AG normal (perda de bicarbonato ou excesso de cloreto).
As principais causas incluem diarreia grave (perda de HCO₃), acidose tubular renal, uso de inibidores da anidrase carbônica, e infusão excessiva de cloreto (solução salina).
Infecções virais graves, como as causadas por enterovírus, podem levar à sepse, desidratação e disfunção orgânica, que por sua vez podem precipitar acidose metabólica por diversos mecanismos, incluindo perda de bicarbonato ou acúmulo de lactato (embora este último eleve o AG).
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