PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2026
Após 48h de internação, o paciente mantém quadro grave, evoluindo com piora da perfusão tecidual. Foi realizada gasometria arterial com os seguintes resultados (FiO2 50%): pH: 7,25 pCO2: 30 mmHg HCO3:14 mEq/L Na *: 138 mEq/L K *: 4,2 mEq/L CI : 90 mEq/L Lactato: 5,6 mmol/L Qual o distúrbio gasométrico presente neste paciente?
AG > 12 + Delta-Delta > 2 → Acidose Metabólica AG ↑ + Alcalose Metabólica associada.
Em pacientes graves com acidose metabólica de ânion gap elevado, o cálculo do delta-delta é obrigatório para identificar distúrbios metabólicos concomitantes, como a alcalose metabólica.
A análise gasométrica em pacientes críticos exige uma abordagem sistemática. Primeiro, avalia-se o pH para definir acidemia ou alcalemia. Em seguida, observa-se o componente metabólico (HCO3) e respiratório (pCO2). No caso de acidose metabólica, o cálculo do Ânion Gap (AG) é o próximo passo. Neste paciente, o AG é 34 (138 - [90+14]), confirmando acidose de AG elevado (provavelmente por lactato de 5,6). Para refinar o diagnóstico, aplica-se o Delta-Delta: (34 - 12) / (24 - 14) = 22 / 10 = 2,2. Valores acima de 1,6 a 2,0 sugerem fortemente uma alcalose metabólica sobreposta. A pCO2 de 30 mmHg está dentro da faixa de compensação esperada (Winter: 1,5 * 14 + 8 = 29 +/- 2), descartando distúrbio respiratório primário adicional.
O Ânion Gap (AG) é calculado pela fórmula Na - (Cl + HCO3). O valor de referência normal situa-se entre 8 e 12 mEq/L. Um AG elevado indica a presença de ânions não mensurados, como lactato, cetoácidos ou toxinas, sendo fundamental para diferenciar as causas de acidose metabólica.
A relação Delta-Delta compara o aumento do ânion gap (AG atual - 12) com a queda do bicarbonato (24 - HCO3 atual). Se o resultado for maior que 2, significa que o bicarbonato está mais alto do que o esperado para aquele nível de acidose, indicando uma alcalose metabólica associada.
A presença de alcalose metabólica concomitante pode ocorrer por perdas gástricas (vômitos/sonda nasogástrica) ou uso de diuréticos. Identificá-la é crucial pois ela pode 'mascarar' a gravidade da acidose ao elevar artificialmente o pH, retardando o reconhecimento da hipoperfusão tecidual.
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