Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Considere os seguintes resultados de uma paciente do sexo feminino, com 34 anos de idade: gasometria arterial com pH = 7,21 (VR = 7,35-7,45), bicarbonato = 14 mmol/L (VR = 22-26), paCO2 = 30 mmHg (VR = 35-45), paO2 = 107 mmHg (VR = 80-100); sódio = 136 mmol/L (VR = 135-145), cloro = 100 mmol/L (VR = 98-107). Assinale a alternativa que apresenta a causa mais provável do distúrbio metabólico.
pH ↓ + HCO3 ↓ + paCO2 ↓ (compensação) + ânion gap ↑ → Acidose metabólica com ânion gap elevado.
A gasometria revela acidose metabólica (pH baixo, bicarbonato baixo) com compensação respiratória (paCO2 baixo). O cálculo do ânion gap (Na - (Cl + HCO3) = 136 - (100 + 14) = 22) mostra um ânion gap elevado (VR 8-12), indicando acúmulo de ácidos não voláteis. Choque séptico é uma causa comum de acidose lática, que eleva o ânion gap.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental na prática médica, permitindo a avaliação dos distúrbios ácido-base. A acidose metabólica é um desequilíbrio comum, caracterizado por uma diminuição do pH e do bicarbonato sérico, e pode ser classificada em acidose com ânion gap elevado ou normal, o que direciona a investigação etiológica. No caso apresentado, o pH de 7,21 e o bicarbonato de 14 mmol/L confirmam a acidose metabólica. A paCO2 de 30 mmHg indica uma compensação respiratória, onde o corpo tenta eliminar CO2 para elevar o pH. O cálculo do ânion gap (Na - (Cl + HCO3) = 136 - (100 + 14) = 22 mmol/L) revela um valor elevado (normalmente 8-12 mmol/L), apontando para a presença de ácidos não mensuráveis. Causas de acidose metabólica com ânion gap elevado incluem acidose lática (comum no choque séptico, hipoperfusão), cetoacidose (diabética, alcoólica, de jejum), intoxicações (salicilatos, metanol, etilenoglicol) e insuficiência renal. O choque séptico, ao causar hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, leva à produção excessiva de lactato, um ácido forte que eleva o ânion gap, tornando-o a causa mais provável neste cenário.
A acidose metabólica é caracterizada por um pH arterial abaixo do normal (<7,35) e uma concentração de bicarbonato (HCO3) também abaixo do normal (<22 mmol/L). Pode haver uma compensação respiratória, com a paCO2 diminuída.
O ânion gap é a diferença entre os principais cátions (sódio) e ânions (cloro e bicarbonato) não mensuráveis no plasma. Um ânion gap elevado (>12) sugere acúmulo de ácidos endógenos, como na acidose lática (choque séptico) ou cetoacidose.
No choque séptico, a hipoperfusão tecidual leva à hipóxia celular e ao metabolismo anaeróbico, resultando na produção excessiva de ácido lático. O acúmulo de lactato, um ânion não mensurável, eleva o ânion gap.
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