FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Um homem de 60 anos com histórico de insuficiência renal crônica e diabetes mellitus tipo 2 é admitido no pronto-socorro com letargia e fraqueza. Ele tem um histórico recente de diarreia persistente. Seus exames laboratoriais mostram os seguintes resultados: - PH: 7,25 (referência: 7,35-7,45); - pCO₂: 30 mmHg (referência: 35-45 mmHg); - HCO₃⁻: 15 MEq/L. (referência: 22-26 MEq/L); - Na⁺: 140 mEq/L; - K⁺: 4,5 mEq/L; - Cl⁻: 115 mEq/L; - Lactato: 0,8 mmol/L; - Creatinina: 2,2 mg/dL; Com base nesses resultados, qual é o diagnóstico mais provável do distúrbio ácido-base?
Acidose metabólica com ânion gap normal (hiperclorêmica) → pensar em perdas de HCO₃⁻ (ex: diarreia).
O paciente apresenta acidose metabólica (pH baixo, HCO₃⁻ baixo) com ânion gap normal (140 - (115 + 15) = 10), indicando uma acidose hiperclorêmica. A diarreia persistente é uma causa comum de perda de bicarbonato e consequente acidose metabólica com ânion gap normal.
Os distúrbios ácido-base são condições clínicas frequentes e complexas, exigindo uma abordagem sistemática para diagnóstico e manejo. A acidose metabólica é caracterizada por um pH sanguíneo baixo e uma concentração de bicarbonato sérico reduzida, refletindo um excesso de ácidos ou uma perda de bases no organismo. A compreensão do ânion gap é fundamental para diferenciar as causas subjacentes. A fisiopatologia da acidose metabólica pode ser dividida em dois tipos principais com base no ânion gap: com ânion gap aumentado (devido ao acúmulo de ácidos como lactato, cetoácidos ou toxinas) e com ânion gap normal, também conhecida como acidose metabólica hiperclorêmica. Esta última ocorre quando há perda de bicarbonato (como na diarreia ou acidose tubular renal) ou ganho de cloreto. O paciente da questão apresenta pH baixo, bicarbonato baixo e um ânion gap normal, com hipercloremia e histórico de diarreia, o que aponta para acidose metabólica hiperclorêmica. O tratamento da acidose metabólica depende da causa subjacente. Na acidose hiperclorêmica por diarreia, a reposição de fluidos e eletrólitos, além do tratamento da diarreia, são as prioridades. Em casos graves, a administração de bicarbonato pode ser considerada. É vital para residentes dominar o cálculo e a interpretação do ânion gap para guiar a investigação diagnóstica e a terapia adequada.
O ânion gap é calculado como Na⁺ - (Cl⁻ + HCO₃⁻). Um ânion gap normal (8-12 mEq/L) na acidose metabólica sugere perda de bicarbonato ou ganho de HCl, enquanto um ânion gap aumentado indica acúmulo de ácidos não mensuráveis.
As causas mais comuns incluem diarreia (perda de bicarbonato), acidose tubular renal, uso de inibidores da anidrase carbônica e administração excessiva de cloreto (solução salina).
A diarreia causa perda significativa de bicarbonato pelo trato gastrointestinal. Para manter a eletroneutralidade, o rim retém cloreto, resultando em hipercloremia e acidose metabólica com ânion gap normal.
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