Acidose Metabólica e Choque na Pediatria: Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um bebê com 4 meses de idade é levado ao serviço de Pronto Atendimento com quadro clínico de diarreia iniciado no dia anterior. A mãe refere que a criança apresenta cerca de 8 evacuações diárias, líquidas, volumosas, sem sangue ou muco. Ao exame físico, encontra-se letárgico, com pulsos finos e tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Após receber 2 expansões com soro fisiológico, 20 ml/kg, o bebê apresenta melhora parcial do quadro clínico. O resultado da gasometria arterial evidencia pH = 7,3 (valor de referência: 7,35 a 7,45); pO₂ = 150 mmHg (valor de referência: 83 a 108 mmHg); pCO₂ = 21 mmHg (valores de referência: 32 a 48 mmHg); HCO₃– = 14 mEq/L (valores de referência: 21 a 28 mEq/L); BE = –3,5 (valor de referência: –3 a +3). Diante desse quadro, a interpretação da gasometria e a conduta médica imediata são:

Alternativas

  1. A) Acidose metabólica e expansão volêmica.
  2. B) Acidose metabólica e infusão de bicarbonado de sódio.
  3. C) Alcalose respiratória e entubação orotraqueal.
  4. D) Alcalose respiratória e suplementação de oxigênio.

Pérola Clínica

Choque + Acidose Metabólica = Expansão Volêmica Imediata (SF 0,9% 20ml/kg).

Resumo-Chave

A acidose metabólica na desidratação grave reflete má perfusão tecidual; o tratamento prioritário é a restauração da volemia, não o bicarbonato.

Contexto Educacional

O manejo da desidratação grave com choque em pediatria foca na estabilização hemodinâmica. A acidose metabólica encontrada é uma consequência direta da perda de fluidos e eletrólitos pelas fezes, somada à má perfusão sistêmica. O pH de 7,3, embora baixo, não justifica o uso de bicarbonato de sódio, que é reservado para pH < 7,1 ou situações específicas após falha na expansão. A melhora parcial após as primeiras expansões indica que o déficit volêmico é severo e que a conduta deve continuar sendo a reposição de volume até a normalização dos sinais vitais e do TEC. A gasometria serve como parâmetro de gravidade e acompanhamento da resposta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Como interpretar a gasometria neste caso?

O pH de 7,3 indica acidemia. O HCO3 de 14 mEq/L (baixo) confirma que a causa primária é metabólica. O pCO2 de 21 mmHg (baixo) mostra que há uma compensação respiratória adequada (hiperventilação para 'lavar' CO2 e tentar elevar o pH). Portanto, o diagnóstico é acidose metabólica compensada.

Por que a conduta é expansão volêmica e não bicarbonato?

A acidose metabólica na desidratação é geralmente lática, decorrente da hipoperfusão tecidual (choque). Ao realizar a expansão volêmica com soro fisiológico, melhora-se a oferta de oxigênio aos tecidos, revertendo a produção de lactato e permitindo que os rins e o fígado metabolizem os ácidos orgânicos, corrigindo o pH naturalmente.

Quais os sinais de choque apresentados pelo bebê?

O bebê apresenta letargia (alteração do nível de consciência), pulsos finos e tempo de enchimento capilar (TEC) prolongado de 5 segundos (o normal é até 2 segundos). Esses achados clínicos são indicativos de choque descompensado, exigindo ressuscitação volêmica imediata com cristaloides isotônicos.

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