UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022
Paciente masculino, 35 anos, 70 Kg, vítima de acidente automobilístico, é admitido na unidade de pronto atendimento em urgência e emergência, via SAMU, apresentando FC 125 bpm, PA 110/60 mmHg, FR 26 irpm, SatO2 91%, temp. axilar 35°C; ansioso, porém responsivo, negou comorbidades, referiu última refeição há 4h e a carteira de identidade demonstra tipo sanguíneo AB+. Apresenta fratura exposta em perna esquerda e ferimento penetrante na cavidade abdominal. Após condutas necessárias realizadas, o paciente foi submetido à intubação orotraqueal (IOT) em sequência rápida e mantido sob ventilação mecânica. Foi colhida a gasometria arterial que mostrou os seguintes resultados: pH 7,20; pCO₂ 35 mmHg; HCO₃- 10 mmol/L BE -16 mmol/L; K+ 5.9 mEq/L; Hb 8g/dL; Hct 25%. Sem alterações evidenciadas na monitorização. Foram transfundidas, inicialmente, duas unidades de concentrado de hemácias e três unidades de plasma fresco congelado. Com base no caso, qual o distúrbio ácido básico apresentado?
pH < 7.35 e HCO3 < 22 mEq/L → Acidose Metabólica.
A gasometria arterial revela um pH baixo (acidemia) e um bicarbonato (HCO3-) também baixo, com um grande excesso de base negativo, caracterizando uma acidose metabólica. A pCO2 normal ou levemente baixa sugere uma tentativa de compensação respiratória.
A interpretação da gasometria arterial é uma habilidade fundamental na medicina de emergência e terapia intensiva. Distúrbios ácido-básicos, como a acidose metabólica, são comuns em pacientes gravemente enfermos, especialmente vítimas de trauma, e sua identificação precoce é crucial para o manejo adequado. A acidose metabólica é caracterizada por um pH arterial baixo e uma redução primária no bicarbonato sérico. Em situações de trauma e choque, a hipoperfusão tecidual leva à anaerobiose e produção de lactato, resultando em acidose lática, um tipo comum de acidose metabólica de ânion gap elevado. O diagnóstico preciso requer a análise conjunta do pH, pCO2, HCO3- e excesso de base, além da avaliação do ânion gap. O tratamento da acidose metabólica deve focar na correção da causa subjacente, como a otimização da perfusão tecidual e ressuscitação volêmica em casos de choque. A correção do distúrbio ácido-básico é vital para restaurar a função enzimática e cardiovascular, melhorando o prognóstico do paciente. Residentes devem dominar a interpretação da gasometria para uma tomada de decisão rápida e eficaz.
Os principais parâmetros são pH baixo (<7.35), bicarbonato (HCO3-) baixo (<22 mEq/L) e um excesso de base (BE) negativo. A pCO2 pode estar normal ou baixa devido à compensação respiratória.
O excesso de base (BE) é um indicador da magnitude do componente metabólico do distúrbio ácido-básico. Um BE negativo e significativo, como -16 mmol/L, confirma uma acidose metabólica grave.
Em pacientes traumatizados, a acidose metabólica é frequentemente causada por choque hipovolêmico e hipoperfusão tecidual, levando à produção excessiva de ácido lático (acidose lática).
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