UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
Qual o diagnóstico mais provável associado a esta gasometria arterial? ph=7,24; HCO3=10; pCO2=23 mEq/L; BE=-8 mEq/L • AG plasmático=10 mEq/L • AG urinário=0 mEq/L
Acidose metabólica com AG plasmático normal + AG urinário zero → ATR Tipo I.
A gasometria indica acidose metabólica (pH baixo, HCO3 baixo) com compensação respiratória (pCO2 baixo). O ânion gap plasmático normal (10 mEq/L) sugere perda de bicarbonato ou ganho de ácido sem ânions não mensuráveis. O ânion gap urinário zero indica falha na excreção de H+, característico da ATR tipo I.
A acidose metabólica é um distúrbio do equilíbrio ácido-base caracterizado por pH arterial baixo e bicarbonato sérico reduzido. A avaliação do ânion gap plasmático é o primeiro passo para classificar as causas. Quando o AG plasmático é normal (acidose hiperclorêmica), a diferenciação entre perda gastrointestinal de bicarbonato e acidose tubular renal é crucial. O ânion gap urinário (AGu) é uma ferramenta diagnóstica essencial para acidoses metabólicas com AG plasmático normal. Um AGu positivo (>0) sugere que o rim está excretando amônia adequadamente (como na diarreia), enquanto um AGu zero ou negativo (<0) indica que o rim não está excretando amônia e, portanto, H+ de forma eficaz, apontando para uma Acidose Tubular Renal (ATR). A Acidose Tubular Renal Tipo I (distal) é caracterizada pela incapacidade do túbulo coletor distal de secretar H+, resultando em urina com pH persistentemente alto (>5,5) mesmo na presença de acidose sistêmica. Frequentemente associada à hipocalemia e nefrocalcinose. O tratamento envolve a reposição de bicarbonato e correção de distúrbios eletrolíticos.
AG plasmático = Na+ - (Cl- + HCO3-). Um AG normal (8-12 mEq/L) em acidose metabólica sugere perda de bicarbonato ou ganho de ácido clorídrico.
O AG urinário = (Na+ + K+) - Cl-. Um valor positivo indica excreção adequada de amônia (e H+), enquanto um valor zero ou negativo sugere falha na excreção de H+, como na ATR tipo I.
As principais causas incluem diarreia severa, fístulas gastrointestinais, uso de inibidores da anidrase carbônica e as acidoses tubulares renais.
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