UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2024
Mulher de 28 anos é admitida no pronto socorro com náuseas, vômitos e dor abdominal. Ao exame físico, apresenta taquipneia com respiração de Kussmaul. Os exames laboratoriais mostram pH arterial de 7,25, bicarbonato de 15 mEq/L e glicose de 450 mg/dL. Qual é o distúrbio ácido-base apresentado por essa paciente?
pH ↓ + HCO3 ↓ + Kussmaul + Hiperglicemia → Acidose metabólica (provável Cetoacidose Diabética).
O pH arterial de 7,25 indica acidemia. O bicarbonato de 15 mEq/L (baixo) aponta para um componente metabólico. A respiração de Kussmaul é uma compensação respiratória para a acidose metabólica, e a hiperglicemia de 450 mg/dL sugere cetoacidose diabética, uma causa comum de acidose metabólica com ânion gap elevado.
Os distúrbios ácido-base representam um desafio diagnóstico e terapêutico na medicina, sendo a acidose metabólica um dos mais prevalentes e clinicamente relevantes. Caracteriza-se por uma redução primária do bicarbonato sérico, levando a uma diminuição do pH arterial (acidemia). A compreensão da fisiopatologia e dos mecanismos compensatórios é fundamental para o manejo adequado dos pacientes, especialmente em situações de emergência. O diagnóstico da acidose metabólica é estabelecido pela análise da gasometria arterial, que revela um pH < 7,35 e um bicarbonato (HCO3-) < 22 mEq/L. A avaliação do ânion gap (Na+ - (Cl- + HCO3-)) é o próximo passo crucial para diferenciar as causas. Um ânion gap elevado sugere acúmulo de ácidos não voláteis (como na cetoacidose diabética, acidose láctica ou insuficiência renal), enquanto um ânion gap normal (hiperclorêmica) geralmente indica perda de bicarbonato ou aumento da reabsorção de cloreto. Clinicamente, a acidose metabólica pode se manifestar com náuseas, vômitos, dor abdominal e, em casos graves, com a respiração de Kussmaul – um padrão respiratório profundo e rápido que representa a tentativa do organismo de compensar a acidemia através da eliminação de CO2. O tratamento visa corrigir a causa subjacente (ex: insulina na cetoacidose diabética, fluidos na acidose láctica) e, em situações de acidemia muito grave, pode-se considerar a administração de bicarbonato de sódio, embora essa conduta seja controversa e deva ser individualizada. O prognóstico depende da gravidade da acidose e da resposta ao tratamento da condição primária.
O diagnóstico de acidose metabólica é feito pela presença de um pH arterial abaixo do normal (acidemia) e um bicarbonato sérico (HCO3-) também abaixo do normal. A avaliação do ânion gap é crucial para determinar a causa da acidose metabólica.
A respiração de Kussmaul é um padrão respiratório profundo, rápido e laborioso, que ocorre como mecanismo compensatório em pacientes com acidose metabólica grave. O corpo tenta eliminar dióxido de carbono (CO2) para reduzir a acidez do sangue. Sua presença é um sinal importante de desequilíbrio ácido-base significativo.
As causas mais comuns de acidose metabólica com ânion gap elevado podem ser lembradas pelo mnemônico 'MUDPILES': Methanol, Uremia, Diabetic ketoacidosis (Cetoacidose Diabética), Paraldehyde, Iron/Isoniazid, Lactic acidosis, Ethylene glycol, Salicylates. A cetoacidose diabética é uma das mais frequentes.
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