Acidose Lática por Metformina: Diagnóstico e Fatores de Risco

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 62 anos de idade com histórico de diabetes mellitus tipo 2 inicia o tratamento com um novo medicamento. Uma semana depois, ela procura o médico por causa de malestar, mialgias, dificuldade respiratória e sonolência diurna. Estudos laboratoriais mostram: PCO2 34 mmHg, HCO3 15 mmol/L, Sangue arterial pH 7,27, Sódio 142 mEq/L, Potássio 5,0 mEq/L, Cloreto 102 mEq/L, Creatinina 3,4 mg/dL. O exame de urina é negativo para cetonas. Qual dos seguintes medicamentos esta paciente provavelmente está recebendo?

Alternativas

  1. A) Glibenclamida
  2. B) Glucagon
  3. C) Metformina
  4. D) Acarbose

Pérola Clínica

Acidose metabólica com anion gap elevado + insuficiência renal aguda + uso de metformina → Suspeitar de acidose lática por metformina.

Resumo-Chave

A metformina, embora segura, pode causar acidose lática, uma complicação grave, especialmente em pacientes com insuficiência renal, hepática ou cardíaca. O quadro clínico de mal-estar, mialgias e dificuldade respiratória, associado à acidose metabólica com anion gap elevado e elevação da creatinina, é altamente sugestivo.

Contexto Educacional

A metformina é um medicamento de primeira linha para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, amplamente utilizado devido à sua eficácia, baixo risco de hipoglicemia e benefícios cardiovasculares. No entanto, sua complicação mais grave, embora rara, é a acidose lática. Esta condição é caracterizada por acidose metabólica com anion gap elevado e acúmulo de lactato, resultando em sintomas inespecíficos como mal-estar, mialgias, dor abdominal, sonolência e dificuldade respiratória. A fisiopatologia da acidose lática por metformina envolve a inibição da gliconeogênese hepática e o aumento da produção de lactato. Em pacientes com função renal normal, a metformina é rapidamente excretada, e o lactato é metabolizado. Contudo, na presença de insuficiência renal, a depuração da metformina é reduzida, levando ao seu acúmulo e, consequentemente, a um risco aumentado de acidose lática. Outros fatores de risco incluem insuficiência hepática, insuficiência cardíaca congestiva e condições de hipóxia. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica em pacientes diabéticos em uso de metformina que apresentam acidose metabólica com anion gap elevado, especialmente se houver disfunção renal aguda. O tratamento consiste na suspensão imediata da metformina, medidas de suporte e, em casos graves, hemodiálise para remover a metformina e corrigir a acidose. A prevenção é crucial e envolve a avaliação da função renal antes do início e durante o tratamento com metformina, além da suspensão temporária em situações de risco, como procedimentos com contraste iodado ou desidratação.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais que sugerem acidose lática?

A acidose lática é caracterizada por acidose metabólica (pH baixo, HCO3 baixo) com anion gap elevado. Frequentemente, há também elevação do lactato sérico (embora não fornecido na questão), e pode haver compensação respiratória com PCO2 baixo.

Por que a metformina pode causar acidose lática, especialmente na presença de insuficiência renal?

A metformina inibe a gliconeogênese hepática e aumenta a produção de lactato. Em condições de hipoperfusão tecidual ou insuficiência renal (que reduz a excreção da metformina e do lactato), o acúmulo de metformina e lactato pode levar à acidose lática grave.

Quais são os principais fatores de risco para acidose lática associada à metformina?

Os principais fatores de risco incluem insuficiência renal (creatinina > 1.5 mg/dL em homens ou > 1.4 mg/dL em mulheres), insuficiência hepática, insuficiência cardíaca congestiva, alcoolismo, condições de hipóxia (sepse, choque) e idade avançada.

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