SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) à emergência de um hospital com história de atropelamento há alguns minutos. Ao exame físico, o paciente apresenta FC =110 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 90% e PA = 100 mmHg x 75 mmHg. Ao ser questionado, apenas verbaliza algumas palavras sem sentido, e demonstra abertura ocular à dor e resposta motora de flexão anormal. A ausculta respiratória indica murmúrio vesicular ausente à direita e normais à esquerda. Exames cardiovascular e abdominal não há alterações. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Nesse caso, está indicado o uso de ácido tranexâmico. Ele é um medicamento antifibrinolítico e deve ser aplicado de maneira precoce, nas primeiras três horas do trauma, em bolus.
TXA no trauma → aplicar < 3h do evento em suspeita de hemorragia grave ou instabilidade.
O ácido tranexâmico reduz a mortalidade por sangramento se administrado precocemente (idealmente < 1h, limite 3h). Age inibindo a plasmina e a fibrinólise.
O ácido tranexâmico é um análogo sintético da lisina que atua como antifibrinolítico, bloqueando competitivamente os sítios de ligação da lisina no plasminogênio. No trauma, a hiperfibrinólise é um componente precoce e letal da coagulopatia induzida pelo trauma. O estudo CRASH-2 demonstrou que o uso precoce do TXA reduz significativamente a mortalidade por sangramento e a mortalidade por todas as causas, sem aumento significativo de eventos tromboembólicos quando usado corretamente dentro da janela terapêutica.
A dose padrão baseada no estudo CRASH-2 é de 1g em bolus (infusão em 10 minutos), seguida de uma dose de manutenção de 1g infundida ao longo de 8 horas. É fundamental que a primeira dose ocorra o mais rápido possível após o evento traumático, preferencialmente na primeira hora.
Evidências sugerem que a administração tardia (>3h) não apenas perde o benefício de redução de mortalidade por sangramento, mas pode estar associada a um aumento do risco de morte por causas vasculares e complicações trombóticas, tornando a intervenção prejudicial.
Pacientes com trauma contuso ou penetrante que apresentam sinais de choque hemorrágico (PAS < 90 mmHg ou FC > 110 bpm) ou que possuem risco significativo de sangramento grave, conforme avaliação clínica inicial no pré-hospitalar ou emergência.
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