UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022
Em relação ao uso do ácido tranexâmico no paciente politraumatizado, é correto afirmar:
Ácido tranexâmico no trauma: ↑ sobrevida se administrado < 3h; ↑ mortalidade se > 3h.
O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade por hemorragia em pacientes traumatizados, mas seu benefício é altamente dependente do tempo. A administração precoce (<3 horas do trauma) é crucial, enquanto a administração tardia (>3 horas) pode ser prejudicial.
O manejo do paciente politraumatizado com hemorragia é um desafio crítico na medicina de emergência. O ácido tranexâmico (ATX), um agente antifibrinolítico, emergiu como uma intervenção vital para reduzir a mortalidade por sangramento. Sua ação consiste em inibir a ativação do plasminogênio em plasmina, prevenindo a degradação do coágulo. Os estudos CRASH-2 e CRASH-3 foram marcos na elucidação do papel do ATX. O CRASH-2 demonstrou uma redução significativa na mortalidade por hemorragia em pacientes traumatizados quando o ATX era administrado nas primeiras 3 horas. O CRASH-3, focado em trauma cranioencefálico, não mostrou redução de mortalidade geral, mas sugeriu benefício em lesões leves a moderadas. A janela terapêutica é crucial: o benefício é maior quanto mais precoce a administração (<1 hora), diminuindo entre 1-3 horas, e podendo ser prejudicial (>3 horas). O ATX é uma ferramenta importante no arsenal do traumatologista, mas seu uso deve seguir rigorosamente as diretrizes baseadas em evidências para maximizar o benefício e evitar riscos.
O principal benefício é a redução da mortalidade por hemorragia, especialmente quando administrado precocemente, devido à sua ação antifibrinolítica que estabiliza coágulos e previne a fibrinólise excessiva.
A administração ideal é dentro da primeira hora após o trauma, com benefício significativo até 3 horas. Após 3 horas, a administração pode ser prejudicial e aumentar o risco de morte, conforme evidenciado pelo estudo CRASH-2.
Estudos como o CRASH-2 demonstraram que o ácido tranexâmico não está associado a um aumento significativo de complicações tromboembólicas, como trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, quando usado no trauma.
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