SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Em relação ao uso do ácido tranexâmico nos pacientes vítimas de trauma, assinale a alternativa INCORRETA:
Ácido Tranexâmico → Iniciar precocemente (<3h) no trauma; não aguardar exames laboratoriais.
O ácido tranexâmico reduz a mortalidade por sangramento no trauma se administrado precocemente, agindo como um antifibrinolítico que estabiliza o coágulo.
O ácido tranexâmico (TXA) tornou-se um pilar no manejo do trauma hemorrágico após evidências robustas de redução de mortalidade. Ele deve ser administrado o mais rápido possível (idealmente na cena ou na chegada ao hospital) para pacientes com sinais de choque hemorrágico (PAS < 90 mmHg ou FC > 110 bpm) ou risco de sangramento significativo. A dose padrão é de 1g IV em 10 minutos, seguida de mais 1g IV em infusão de 8 horas. Sua eficácia é comprovada em diversos tipos de sangramento traumático, exceto em hemorragias digestivas, onde estudos recentes (HALT-IT) não mostraram benefício.
O ácido tranexâmico é um análogo sintético do aminoácido lisina. Ele atua ligando-se reversivelmente aos sítios de ligação de lisina no plasminogênio. Isso impede que o plasminogênio se ligue à fibrina e seja ativado pelo ativador do plasminogênio tecidual (tPA) em plasmina. Sem a formação de plasmina, a degradação da fibrina (fibrinólise) é inibida, o que ajuda a estabilizar o coágulo sanguíneo já formado e reduz o sangramento contínuo em pacientes com hemorragia ativa.
O estudo CRASH-2 demonstrou que o benefício do ácido tranexâmico é tempo-dependente. A administração nas primeiras 3 horas após o trauma reduz significativamente a mortalidade por sangramento. No entanto, se administrado após 3 horas, o risco de morte por hemorragia pode na verdade aumentar. Isso ocorre porque, tardiamente, o estado fisiopatológico do paciente muda de uma hiperfibrinólise protetora para uma fase de coagulopatia complexa ou 'shutdown' da fibrinólise, onde o TXA pode ser prejudicial.
Estudos em larga escala, como o CRASH-2 (trauma) e o WOMAN (hemorragia pós-parto), não demonstraram um aumento significativo em eventos tromboembólicos (como TVP, TEP ou AVC) com o uso de doses padrão de ácido tranexâmico. O risco é considerado muito baixo em comparação ao benefício de sobrevida em pacientes com hemorragia grave. Contudo, em pacientes com histórico conhecido de trombofilia ou eventos trombóticos ativos, o uso deve ser pesado individualmente, embora no cenário de trauma agudo com risco de vida, a prioridade seja o controle do sangramento.
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