HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um paciente de 17 anos de idade chegou ao pronto-socorro com ferimento por arma de fogo no abdome, ocorrido há 30 minutos, na região de hipocôndrio direito. Na admissão, encontrava-se agitado, solicitando ajuda, e seus dados hemodinâmicos eram: PA = 60 mmHg X 40 mmHg, pulso de 134 bpm e frequência respiratória de 32 ipm. Com base no caso clínico apresentado, julgue o item.Nesses casos, a utilização de ácido tranexâmico traz vantagens para redução da mortalidade por hemorragia.
Ácido Tranexâmico (TXA) → Administrar nas primeiras 3h do trauma em pacientes com choque ou risco de hemorragia grave.
O TXA inibe a fibrinólise excessiva no trauma grave. O estudo CRASH-2 demonstrou redução da mortalidade quando administrado precocemente (idealmente na 1ª hora, máximo 3h).
O trauma induz uma coagulopatia precoce caracterizada por hiperfibrinólise. O ácido tranexâmico atua como um antifibrinolítico, bloqueando os sítios de ligação da lisina no plasminogênio, impedindo sua ativação em plasmina e a consequente degradação da fibrina. No caso clínico apresentado, o paciente de 17 anos com ferimento por arma de fogo apresenta sinais claros de choque classe IV (PA 60/40, FC 134), indicando hemorragia maciça. Nestas circunstâncias, a utilização do ácido tranexâmico dentro da janela terapêutica de 3 horas é uma intervenção baseada em evidências que reduz significativamente a mortalidade por sangramento, complementando o controle cirúrgico e a ressuscitação volêmica.
De acordo com o protocolo CRASH-2 e as diretrizes do ATLS, a dose recomendada é de 1 grama de TXA administrado por via intravenosa em bolus (geralmente em 10 minutos), seguido por uma infusão de mais 1 grama ao longo de 8 horas. É fundamental que a primeira dose seja feita o mais rápido possível após o trauma.
Pacientes adultos com trauma grave que apresentam evidência de hemorragia significativa, hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), taquicardia acentuada ou que estão em risco iminente de choque hemorrágico. O benefício é máximo quando administrado na 'hora de ouro', preferencialmente nos primeiros 60 minutos.
O estudo CRASH-2 mostrou que a administração tardia (após 3 horas do trauma) não apenas perde o efeito protetor contra a morte por sangramento, mas pode estar associada a um aumento do risco de morte por causas vasculares e outras complicações, possivelmente devido a um estado pró-trombótico tardio.
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