CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Trabalhador da construção civil, sexo masculino, 40 anos, vítima de queda de andaime de cerca de 3 metros, foi atendido no HPS 28 de Agosto em franco choque hipovolêmico devido a fratura de bacia e de fêmur esquerdo. Não havia lesões significativas em crânio, tórax e cavidade peritoneal. O paciente foi submetido a controle da hemorragia com transfusões de hemoderivados, empacotamento pélvico e fixação das fraturas, sendo encaminhado à UTI. À admissão observou-se hemoglobina 7g/dl, hematócrito 21%, 22.000 leucócitos com 80% de polimorfonucleares, gasometria com pH 7.3, HCO3 mEq/l e Excesso de Base de -6, lactato 4,5mmol/L e potássio 5,8mEq/l. Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA:
Ácido tranexâmico é indicado no trauma com sangramento significativo, não contraindicado por inflamação.
O ácido tranexâmico (TXA) é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade em pacientes traumatizados com sangramento significativo, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas. Sua contraindicação por 'aumento da permeabilidade capilar e hiperestimulação da resposta inflamatória' é incorreta, sendo seu uso recomendado em protocolos de trauma.
O manejo do paciente traumatizado grave, especialmente com choque hipovolêmico, exige uma abordagem multidisciplinar e rápida. A hemorragia é a principal causa de morte evitável no trauma, e o controle da hemorragia, juntamente com a reanimação volêmica e o manejo da coagulopatia induzida por trauma, são pilares do tratamento. Para residentes, é fundamental compreender a fisiopatologia do choque, as complicações associadas ao trauma grave e as intervenções farmacológicas e cirúrgicas. A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) é uma resposta fisiológica complexa ao trauma, que pode levar a um estado de imunodepressão e maior suscetibilidade a infecções e sepse, mesmo na ausência de um foco infeccioso inicial. A leucocitose com desvio à esquerda é um achado comum na SIRS e não necessariamente indica infecção. A acidose metabólica com lactato elevado reflete hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, sendo um marcador de gravidade do choque. O ácido tranexâmico (TXA) é um medicamento antifibrinolítico que tem um papel bem estabelecido na redução da mortalidade por sangramento em pacientes traumatizados, conforme evidenciado por grandes estudos como o CRASH-2. Sua administração precoce é crucial. A hiperpotassemia é uma complicação comum no trauma grave, especialmente com lesão tecidual extensa e transfusão maciça, e deve ser monitorada e tratada ativamente, pois pode levar a arritmias cardíacas fatais. A compreensão desses conceitos é vital para a prática clínica e para as provas de residência.
O ácido tranexâmico (TXA) é um antifibrinolítico que atua inibindo a fibrinólise, ajudando a estabilizar coágulos e reduzir o sangramento. Em pacientes traumatizados com sangramento significativo, sua administração precoce (preferencialmente nas primeiras 3 horas) demonstrou reduzir a mortalidade por todas as causas, especialmente a mortalidade por sangramento.
A lesão tecidual extensa desencadeia uma Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), com ativação desordenada de neutrófilos, liberação de citocinas pró-inflamatórias e ativação do sistema complemento. Essa resposta inflamatória generalizada pode levar a disfunção endotelial, aumento da permeabilidade capilar e, eventualmente, falência de múltiplos órgãos, mesmo na ausência de infecção.
A hiperpotassemia pode ser secundária à lesão tecidual extensa (rabdomiólise), que libera potássio intracelular. Além disso, a transfusão maciça de hemoderivados, especialmente sangue estocado, pode contribuir, pois o potássio se acumula nas bolsas de sangue ao longo do tempo. A insuficiência renal aguda, comum em pacientes com choque, agrava ainda mais a hiperpotassemia.
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