HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um paciente de 15 anos de idade procurou atendimento médico 24 horas após ter sido picado por formigas “lava-pés” (gênero Solenopsis) no dorso e na região lateral do pé direito. Relatou que, inicialmente, teve dor em queimação intensa, a qual posteriormente cedeu, e ele passou a sentir prurido local com surgimento de pápulas. Um dia depois, notou que várias pápulas se tornaram pústulas, com eritema e persistência do prurido. Negou aparecimento de febre. O exame clínico confirmou a presença de algumas vesículas e pústulas íntegras no local informado, além de leve edema e eritema perilesional. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde e com base nesse caso clínico, julgue o item.O paciente deve ser tratado com antibioticoterapia, pois as pústulas indicam infecção secundária.
Pústulas por Solenopsis (lava-pés) são estéreis → NÃO indicam infecção secundária inicial.
O veneno da formiga lava-pés (solenopsina) possui propriedades citotóxicas que induzem a formação de pústulas estéreis em 24h, não devendo ser confundidas com infecção bacteriana.
Os acidentes por formigas do gênero Solenopsis, conhecidas popularmente como lava-pés, são caracterizados por uma dor em queimação imediata seguida de pápulas urticariformes. A característica patognomônica é a evolução para pústulas estéreis em cerca de 24 horas, resultantes da ação da solenopsina, um alcaloide piperidínico com propriedades hemolíticas e citotóxicas. É fundamental que o médico residente reconheça que essas pústulas representam uma reação química e inflamatória ao veneno, e não um processo infeccioso primário. A conduta deve focar no controle sintomático e na orientação para que o paciente não rompa as pústulas, o que poderia predispor à infecção secundária por patógenos da pele, como Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes.
As pústulas se formam devido à ação da solenopsina, um alcaloide presente no veneno da formiga Solenopsis. Essa substância causa necrose tecidual local e atração de neutrófilos, resultando em uma pústula estéril (sem bactérias) em cerca de 24 horas.
A infecção secundária deve ser suspeitada se houver surgimento de celulite progressiva, calor local intenso, drenagem de material purulento fétido ou febre, geralmente ocorrendo após 48-72 horas do acidente, muitas vezes devido ao ato de coçar e romper as pústulas.
O tratamento baseia-se em limpeza local, compressas frias para alívio da dor e edema, anti-histamínicos orais para o prurido e corticoides tópicos de média ou alta potência para reduzir a resposta inflamatória. Antibióticos não são indicados de rotina.
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