INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma comunidade ribeirinha vive próxima de uma barragem que está sendo construída em um rio. Uma das consequências ambientais desse represamento das águas é a redução do nível do rio, o que prolonga o período de águas baixas (vazante) na região. Em contrapartida à construção da barragem, a empreiteira e os entes públicos associados à sua implantação promoveram ações que eliminaram o desmatamento no entorno dessa comunidade, que é atendida por uma Equipe de Saúde da Família. O médico de Família e Comunidade da equipe pretende realizar uma ação educativa para alertar os moradores locais quanto aos impactos da mudança ambiental na saúde.Nessa situação, que problema de saúde esse médico deverá abordar, considerando-se o provável aumento em sua frequência?
Represamento de rios → águas baixas prolongadas → ↑ risco de acidentes com arraias em ribeirinhos.
A redução prolongada do nível da água (vazante) em rios, causada por represamento, expõe mais o leito do rio e as arraias, que se enterram na areia ou lama, aumentando o risco de acidentes por pisadas em comunidades ribeirinhas.
Acidentes com animais peçonhentos aquáticos, como as arraias, representam um importante problema de saúde pública em comunidades ribeirinhas, especialmente na Amazônia e outras regiões com grandes bacias hidrográficas. A construção de barragens e o consequente represamento de rios alteram significativamente o ecossistema local, impactando a dinâmica da fauna e flora e, por extensão, a saúde humana. A prolongação do período de águas baixas (vazante) é um fator crítico que expõe mais o leito do rio, onde as arraias se camuflam, aumentando a probabilidade de acidentes. As arraias de água doce possuem um ferrão na cauda com espinhos serrilhados e glândulas que produzem uma toxina proteica termolábil. A picada causa dor excruciante, edema, eritema e, frequentemente, necrose tecidual, podendo levar a infecções secundárias e complicações graves se não tratada adequadamente. A prevenção é fundamental e envolve ações educativas sobre como evitar o contato, como arrastar os pés no fundo do rio ao caminhar e usar calçados de proteção. O manejo inicial do acidente com arraia é crucial e consiste na imersão da área afetada em água quente para inativar a toxina, seguida de limpeza da ferida e avaliação médica para desbridamento, analgesia e profilaxia do tétano. Médicos de Família e Comunidade que atuam nessas regiões devem estar preparados para identificar e manejar esses acidentes, além de promover ações de educação em saúde que alertem a população sobre os riscos ambientais e as medidas preventivas.
O represamento pode prolongar o período de águas baixas (vazante), expondo mais o leito do rio onde as arraias costumam se enterrar, aumentando a chance de contato acidental com os moradores.
A picada da arraia causa dor intensa e imediata, edema local, eritema e, por vezes, necrose tecidual. Sintomas sistêmicos como náuseas, vômitos e tontura podem ocorrer.
A conduta inicial inclui imersão do local afetado em água quente (40-45°C) por 60-90 minutos para inativar a toxina termolábil, limpeza da ferida, analgesia e avaliação médica para desbridamento e profilaxia antitetânica.
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