AVE Isquêmico por Estenose Carotídea: Diagnóstico e Tratamento

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 69 anos, tabagista, hipertenso e dislipidêmico, é admitido no Pronto-Atendimento com confusão mental e hemiparesia esquerda há 30 horas. Apresenta dados vitais estáveis e sem outras alterações ao exame físico, exceto por discreto sopro em região cervical direita. Consigo ele traz uma angiotomografia arterial cervical recente, que demonstra estenose importante da origem da artéria carótida interna direita, de cerca de 80%, devido a placa aterosclerótica de aspecto predominantemente lipídico. Sobre o caso, assinale o correto diagnóstico, etiologia e tratamento:

Alternativas

  1. A) Síndrome vaso-vagal, estenose da artéria vertebral direita, tratamento clínico.
  2. B) AIT, estenose da artéria carótida interna esquerda, endarterectomia carotídea.
  3. C) AIT, estenose da artéria carótida interna direita, angioplastia carotídea com Stent.
  4. D) AVE isquêmico, estenose da artéria carótida interna direita, endarterectomia carotídea após estabilização clínica.
  5. E) AVE isquêmico, estenose da artéria carótida interna esquerda, angioplastia carotídea com stent imediatamente.

Pérola Clínica

AVE isquêmico + estenose carotídea sintomática > 70% → endarterectomia após estabilização clínica.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEi) com sintomas neurológicos focais e tempo de evolução > 24h. A estenose carotídea sintomática de alto grau (80%) é a provável etiologia, e a endarterectomia carotídea é o tratamento de escolha para prevenção secundária, realizada após a estabilização clínica do AVE.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEi) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade global, sendo a aterosclerose carotídea uma etiologia importante, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo, hipertensão e dislipidemia. A estenose significativa da artéria carótida interna pode levar a AVEi por embolia arterioarterial ou por hipoperfusão. A diferenciação entre AIT e AVEi é crucial, sendo o AVEi caracterizado por sintomas neurológicos focais persistentes por mais de 24 horas ou evidência de lesão isquêmica em neuroimagem. No caso de estenose carotídea sintomática (ou seja, que já causou um AIT ou AVEi), a avaliação da gravidade da estenose é fundamental. A angiotomografia ou angioressonância são exames essenciais para quantificar a estenose. Para estenoses de alto grau (geralmente > 70% ou 80% conforme diferentes critérios), a intervenção para revascularização é recomendada para prevenção secundária de novos eventos. As opções de revascularização incluem a endarterectomia carotídea (remoção cirúrgica da placa aterosclerótica) e a angioplastia com stent. A endarterectomia é geralmente preferida para estenoses sintomáticas de alto grau devido à sua maior eficácia e menor risco de AVE periprocedural em centros experientes. A intervenção deve ser realizada após a estabilização clínica do AVE agudo, idealmente dentro de 2 semanas, mas não imediatamente, para evitar complicações como hemorragia de reperfusão. O tratamento clínico otimizado (antiagregantes, estatinas, controle pressórico e glicêmico) é sempre parte integrante do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de AVE isquêmico versus AIT?

O AVE isquêmico é diagnosticado quando há sintomas neurológicos focais persistentes por mais de 24 horas ou evidência de infarto cerebral em exames de imagem. O AIT (ataque isquêmico transitório) tem sintomas que se resolvem completamente em menos de 24 horas, sem infarto.

Quando a endarterectomia carotídea é indicada para estenose carotídea sintomática?

A endarterectomia carotídea é indicada para estenose carotídea sintomática de alto grau (geralmente > 70%) em pacientes com boa expectativa de vida, após a estabilização clínica do evento isquêmico agudo, para prevenir novos AVEs.

Quais são os fatores de risco para estenose carotídea aterosclerótica e AVE isquêmico?

Os principais fatores de risco incluem tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, diabetes mellitus, idade avançada e histórico familiar de doença cardiovascular.

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