SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 16 anos de idade, com oito horas de evolução, compareceu à emergência por apresentar vertigem, diplopia e surdez. Além disso, demonstrou déficits motores. Ao exame físico, verificaram-se SatO2 = 96% em ar ambiente, FC = 92 bpm regular e PA =180 mmHg x 100 mmHg. Tomografia de crânio e angiotomografia não evidenciaram malformação vascular e nem sangramento. Aos 15 anos, a paciente teve trombose venosa profunda. Em relação a esse caso clínico e aos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.O uso de trombolítico é contraindicado para essa paciente.
AVE isquêmico com > 4,5h de evolução → trombolítico contraindicado (janela terapêutica).
A janela terapêutica para trombólise endovenosa no AVE isquêmico agudo é de até 4,5 horas do início dos sintomas. Com 8 horas de evolução, a paciente está fora dessa janela, tornando o uso de trombolíticos contraindicado devido ao aumento do risco de hemorragia intracraniana sem benefício comprovado.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico é uma emergência neurológica causada pela oclusão de um vaso sanguíneo cerebral, resultando em isquemia e infarto do tecido nervoso. Em pacientes jovens, como no caso apresentado, a investigação etiológica deve ser aprofundada para causas menos comuns, como trombofilias (história prévia de TVP), dissecções arteriais ou doenças cardíacas. Os sintomas apresentados (vertigem, diplopia, surdez, déficits motores) são sugestivos de acometimento da circulação posterior, especialmente do tronco cerebral. O tratamento agudo do AVE isquêmico visa a reperfusão da área isquêmica para minimizar o dano cerebral. A trombólise endovenosa com alteplase é uma das principais estratégias, mas possui uma janela terapêutica estrita de até 4,5 horas do início dos sintomas. Após esse período, o risco de hemorragia intracraniana supera o benefício, tornando a trombólise contraindicada. Além da trombólise, a trombectomia mecânica pode ser considerada em casos selecionados de oclusão de grandes vasos, com uma janela terapêutica mais ampla (até 6-24 horas, dependendo dos critérios de seleção). O manejo da pressão arterial é crucial, evitando hipotensão que comprometa a perfusão e hipertensão excessiva que aumente o risco de transformação hemorrágica. A prevenção secundária, com antiagregantes plaquetários ou anticoagulantes, é fundamental para evitar novos eventos.
A janela terapêutica para trombólise endovenosa com alteplase no acidente vascular encefálico isquêmico agudo é de até 4,5 horas do início dos sintomas.
Os principais riscos da trombólise tardia incluem um aumento significativo do risco de hemorragia intracraniana sintomática, sem benefício clínico adicional, podendo piorar o prognóstico do paciente.
Sintomas como vertigem, diplopia, surdez, disartria, disfagia e déficits motores bilaterais ou cruzados são altamente sugestivos de acometimento do tronco cerebral ou circulação posterior.
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