AVE Isquêmico: Diagnóstico e Fatores de Risco

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 56 anos, preta, trazida pelo SAMU ao setor de emergência. Familiares informam que a paciente apresentou rebaixamento súbito do nível de consciência durante atividade física (retirar as cortinas da sala), perda dos movimentos em dimídio direito e afasia, iniciados há cerca de uma hora. Nega cefaleia, convulsões e liberação esfincteriana. Antecedentes pessoais: tabagista 40 anos/maço; hipertensa em uso irregular de Anlodipino, Hidroclorotiazida e Clonidina. Exame físico: PA 180/110mmHg; FR 20 ipm; FC 100 bpm, pulsos cheios e irregulares. Ausculta cardíaca: ritmo cardíaco irregular em dois tempos, sem sopros. Ausculta pulmonar: murmúrio vesical presente, sem ruídos adventícios. Exame neurológico: paciente consciente, resposta verbal ausente e compreensão preservada. Desvio da rima labial para a esquerda. Hemiparesia completa e desproporcionada à direita, com predomínio braquiofacial e perda hemissensorial. Resposta motora e sensorial preservada à esquerda. A tomografia de crânio realizada na entrada está representada abaixo: Os diagnósticos etiológico e anatômico, neste caso, são:

Alternativas

  1. A) Acidente vascular encefálico isquêmico. Oclusão da artéria cerebral média esquerda.
  2. B) Acidente vascular encefálico isquêmico. Oclusão da artéria cerebral posterior esquerda.
  3. C) Acidente vascular encefálico hemorrágico. Rotura da artéria cerebral anterior esquerda.
  4. D) Acidente vascular encefálico hemorrágico. Rotura da artéria cerebral posterior esquerda.

Pérola Clínica

AVE isquêmico: início súbito de déficit neurológico focal (hemiparesia direita + afasia) + fatores de risco (HAS, tabagismo, FA) → oclusão ACM esquerda.

Resumo-Chave

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico é uma emergência médica caracterizada por déficit neurológico súbito. A apresentação clínica de hemiparesia direita e afasia sugere fortemente um evento isquêmico no hemisfério cerebral esquerdo, provavelmente envolvendo a artéria cerebral média, que é a artéria mais comumente afetada.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico é uma das principais causas de morbimortalidade global, caracterizado pela interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, resultando em déficit neurológico súbito. A identificação rápida dos sintomas e o transporte imediato para um centro especializado são cruciais, pois o tempo é cérebro e a janela terapêutica para intervenções como a trombólise e trombectomia é limitada. A fisiopatologia do AVE isquêmico envolve a oclusão de uma artéria cerebral por um trombo ou êmbolo, levando à isquemia e necrose do tecido cerebral. Os sintomas variam conforme a artéria afetada. No caso de oclusão da artéria cerebral média (ACM) esquerda, como sugerido, os achados clássicos incluem hemiparesia e hemianestesia contralateral (direita), desvio da rima labial e afasia (dificuldade na fala ou compreensão), devido ao envolvimento das áreas de linguagem no hemisfério dominante. Fatores de risco como hipertensão, tabagismo e fibrilação atrial são importantes. O diagnóstico inicial é clínico, seguido por uma tomografia de crânio de emergência para excluir hemorragia. O tratamento agudo para AVE isquêmico pode incluir trombólise intravenosa com alteplase (se dentro da janela terapêutica e sem contraindicações) ou trombectomia mecânica para oclusões de grandes vasos. O prognóstico depende da extensão do dano cerebral, da rapidez do tratamento e do controle dos fatores de risco, sendo a reabilitação um componente essencial para a recuperação funcional.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de um AVE isquêmico na artéria cerebral média esquerda?

Um AVE isquêmico na artéria cerebral média esquerda tipicamente causa hemiparesia e hemianestesia no lado direito do corpo (com predomínio braquiofacial), desvio da rima labial para a esquerda e afasia (de Broca ou Wernicke), pois o hemisfério esquerdo é dominante para a linguagem na maioria das pessoas.

Quais fatores de risco contribuem para o desenvolvimento de um AVE isquêmico neste caso?

Neste caso, a paciente apresenta múltiplos fatores de risco para AVE isquêmico, incluindo tabagismo de longa data, hipertensão arterial sistêmica mal controlada e um ritmo cardíaco irregular (sugestivo de fibrilação atrial), que é uma causa comum de AVE cardioembólico.

Qual a importância da tomografia de crânio no manejo inicial do AVE?

A tomografia de crânio é fundamental no manejo inicial do AVE para diferenciar rapidamente um AVE isquêmico de um AVE hemorrágico. Embora a TC possa não mostrar sinais de isquemia nas primeiras horas, ela é eficaz para excluir hemorragia, o que é crucial antes de considerar terapias como a trombólise.

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