CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Em relação ao Acidente Vascular Encefálico (AVE) assinale a alternativa incorreta:
Fluidos hipotônicos são contraindicados em AVE extenso, pois pioram edema cerebral e hipertensão intracraniana.
Em pacientes com Acidente Vascular Encefálico (AVE), especialmente em casos de infarto extenso, a administração de fluidos hipotônicos é contraindicada. Esses fluidos podem agravar o edema cerebral e a hipertensão intracraniana devido ao movimento osmótico da água para o espaço intracelular, piorando o prognóstico. Soluções isotônicas são preferíveis para manter a euvolemia.
O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma emergência médica devastadora e a principal causa de incapacidade neurológica em adultos, além de ser uma das principais causas de mortalidade global. Ele se manifesta como um déficit neurológico súbito, sendo o AVE isquêmico responsável por cerca de 87% dos casos. A rápida identificação e manejo são cruciais, pois o tempo é cérebro. A epidemiologia mostra uma alta prevalência, especialmente em populações com fatores de risco como hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo. A fisiopatologia do AVE isquêmico envolve a oclusão de um vaso cerebral, levando à privação de oxigênio e glicose e subsequente morte neuronal. O edema cerebral é uma complicação comum, especialmente em infartos extensos, e pode levar à hipertensão intracraniana (HIC), que é uma das principais causas de deterioração neurológica e morte. O diagnóstico é clínico, mas a neuroimagem (TC ou RM) é essencial para diferenciar AVE isquêmico de hemorrágico e para guiar a terapia. A desidratação em pacientes com AVE é geralmente associada a um pior prognóstico, mas a escolha do fluido é crítica. Fluidos hipotônicos são particularmente perigosos, pois podem agravar o edema cerebral devido ao movimento osmótico da água para o parênquima cerebral já comprometido. O tratamento do AVE isquêmico pode incluir trombólise endovenosa ou trombectomia mecânica, dependendo do tempo de início dos sintomas e da elegibilidade do paciente. O manejo de suporte é igualmente importante e inclui o controle da pressão arterial (conforme discutido na questão anterior), da glicemia e da temperatura. A hiperglicemia, mesmo em não diabéticos, é um fator de mau prognóstico e deve ser corrigida. A hidratação deve ser feita com soluções isotônicas (ex: soro fisiológico 0,9%) para manter a euvolemia sem exacerbar o edema cerebral. Residentes devem estar cientes de que a escolha inadequada de fluidos pode ter consequências graves, sendo um ponto de atenção fundamental na prática clínica e em provas.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem Acidente Vascular Encefálico (isquêmico ou hemorrágico), crises epilépticas (especialmente paresia de Todd), enxaqueca com aura, hipoglicemia, tumores cerebrais, infecções do SNC e distúrbios conversivos.
Fluidos hipotônicos são contraindicados porque promovem o movimento da água para o espaço intracelular, exacerbando o edema cerebral e a hipertensão intracraniana, especialmente em infartos extensos onde a barreira hematoencefálica já está comprometida. Isso pode levar a uma piora neurológica e aumento da mortalidade.
A hiperglicemia na fase aguda do AVE, mesmo em pacientes sem histórico de diabetes, está associada a um pior prognóstico, maior volume de infarto, maior risco de transformação hemorrágica e aumento da morbidade e mortalidade. O controle glicêmico rigoroso é fundamental.
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