AVC Posterior: Reconheça Sinais e Sintomas Chave

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Roberto, 63 anos, é trazido por seu filho José ao centro de saúde por apresentar alteração em seu comportamento de início há 2 horas. Refere que seu pai não está conseguindo se equilibrar normalmente, derrubou todos os utensílios da cozinha quando foi preparar o café. Além disso, refere estar vendo tudo em dobro e estar com dor de cabeça leve. Roberto tem hipertensão, em uso regular de hidroclorotiazida e enalapril. Tabagista há pelo menos 20 anos, atualmente fuma em torno de 10 cigarros por dia. Ao examiná-lo, o médico de família e comunidade nota que o paciente está em regular estado geral, consciente, apresenta realmente diplopia, vertigem ao mudar de posição e ataxia de marcha. Sinais vitais estáveis. Diante do caso apresentado, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Acidente vascular cerebral posterior.
  2. B) Hemorragia subaracnóidea.
  3. C) Hemorragia intraparenquimatosa.
  4. D) Acidente vascular cerebral anterior.

Pérola Clínica

Diplopia, vertigem, ataxia e cefaleia em idoso com fatores de risco → Suspeitar de AVC de circulação posterior.

Resumo-Chave

A tríade de diplopia, vertigem e ataxia, especialmente em um paciente idoso com fatores de risco para AVC (hipertensão, tabagismo), é altamente sugestiva de um evento isquêmico ou hemorrágico na circulação posterior (tronco cerebral, cerebelo, lobos occipitais). Os sintomas são frequentemente neurológicos focais e podem ser sutis, exigindo alta suspeição.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) de circulação posterior, que afeta o tronco cerebral, cerebelo e lobos occipitais, é responsável por cerca de 20-25% de todos os AVCs isquêmicos. É crucial reconhecer seus sintomas, que podem ser mais variados e, por vezes, mais sutis do que os do AVC anterior, levando a atrasos no diagnóstico e tratamento. A alta suspeição clínica é fundamental. Os sintomas de AVC posterior frequentemente envolvem a tríade clássica de diplopia, vertigem e ataxia, como visto no caso. Outros sinais incluem disartria, disfagia, hemianopsia homônima, déficits sensitivos ou motores bilaterais ou cruzados, e alterações do nível de consciência. A presença de fatores de risco como hipertensão e tabagismo, como no paciente Roberto, aumenta significativamente a probabilidade de um evento vascular. O diagnóstico precoce é fundamental para o manejo e prognóstico. A tomografia computadorizada (TC) pode ser normal nas fases iniciais, sendo a ressonância magnética (RM) mais sensível para detectar lesões na fossa posterior. O tratamento segue os princípios gerais do AVC isquêmico, com trombólise ou trombectomia mecânica quando indicadas, visando a reperfusão e minimização do dano neurológico, além do manejo dos fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de um AVC de circulação posterior?

Os sintomas clássicos incluem diplopia (visão dupla), vertigem, ataxia (dificuldade de coordenação e equilíbrio), disartria (dificuldade na fala), disfagia (dificuldade para engolir) e déficits sensitivos ou motores cruzados, dependendo da área afetada no tronco cerebral ou cerebelo.

Por que a diplopia e a vertigem são comuns no AVC posterior?

A circulação posterior irriga o tronco cerebral e o cerebelo, regiões que contêm núcleos e vias responsáveis pelo controle dos movimentos oculares, equilíbrio e coordenação. Lesões nessas áreas resultam em sintomas como diplopia (por acometimento de nervos cranianos) e vertigem (por disfunção vestibular central).

Quais fatores de risco aumentam a chance de um AVC posterior?

Os fatores de risco são os mesmos para qualquer tipo de AVC, incluindo hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus, dislipidemia, fibrilação atrial e histórico familiar de AVC. O controle desses fatores é crucial para a prevenção.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo