AVC Isquêmico: Doença Carotídea e Fatores de Risco

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 68 anos, queixa-se de ansiedade há três anos, com preocupação excessiva com familiares, nervosismo, inquietação, irritabilidade e distração. Queixou-se ainda de cefaleia de média intensidade, iniciada há aproximadamente 10 anos, de localização variável, em caráter latejante ou em peso, que piora quando em estado irritativo, sem fatores de melhora ou sintomas associados. Diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e (Diabetes Mellitus) DM tipo Il há quatro e três anos, respectivamente. Há 1 ano, apresentou quadro súbito de perda de força muscular em membro superior esquerdo, associado à parestesia no mesmo membro. Nesse período, foi realizada tomografia computadorizada de crânio, cujo laudo evidenciou lesões isquêmicas em região frontal e parietal direita. Realizou duplex scan de carótidas e vertebrais, que mostrou estenose moderada (50%) em origem de carótida interna esquerda, oclusão de artéria carótida externa esquerda e de artéria carótida interna direita. Realizou ressonância magnética de crânio, cujo laudo evidenciou áreas de infartos lacunares junto à cabeça do núcleo caudado à direita e tálamo à esquerda. Qual é a afirmativa correta relacionada ao caso clínico?

Alternativas

  1. A) Oclusão bilateral das artérias carótidas internas, o que desencadeou as lesões isquêmicas no cérebro e gerou o quadro clínico de perda de força no membro, sendo o principal fator de risco a hipertensão.
  2. B) Doença aterosclerótica carotídea e oclusão bilateral de artéria carótida interna, sendo a idade (> 65 anos), a hipertensão, a história de acidente vascular cerebral e a diabetes mellitus fatores de risco associados à doença.
  3. C) Aneurisma bilateral de artérias carótidas decorrente da estenose parcial da carótida comum, sendo os principais fatores de risco associados ao sexo, à idade e à presença de diabetes.
  4. D) Aterosclerose coronariana, desencadeada pela oclusão total e parcial das artérias carótidas e vertebrais, respectivamente, sendo a hipertensão e a diabetes mellitus os principais fatores de risco para essa patologia.
  5. E) Doença vasculítica autoimune afetando as artérias carótidas, sendo necessário iniciar terapia imunossupressora.

Pérola Clínica

Doença aterosclerótica carotídea (estenose/oclusão) + HAS/DM = alto risco de AVC isquêmico.

Resumo-Chave

O caso clínico descreve uma paciente com múltiplos fatores de risco cardiovasculares (HAS, DM, idade avançada) e doença aterosclerótica carotídea significativa (oclusão da carótida interna direita e estenose da carótida interna esquerda), que culminou em eventos isquêmicos cerebrais. A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para doença cerebrovascular.

Contexto Educacional

O caso clínico apresenta uma paciente idosa com um perfil de risco cardiovascular complexo, incluindo hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus (DM) tipo II, que são fatores de risco bem estabelecidos para doença aterosclerótica. A aterosclerose é uma doença sistêmica que afeta vasos de médio e grande calibre, sendo as artérias carótidas um local comum de acometimento. A paciente já apresentou um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico prévio, evidenciado por lesões em região frontal e parietal direita, que se correlacionam com a perda de força e parestesia em membro superior esquerdo. Os exames de imagem revelaram doença carotídea significativa, com oclusão da artéria carótida interna direita e estenose moderada da carótida interna esquerda. Essa doença carotídea é a principal causa dos eventos isquêmicos cerebrais, seja por embolização de placas ou por hipoperfusão. O manejo de pacientes como esta envolve não apenas o tratamento agudo do AVC, mas também a prevenção secundária rigorosa, que inclui o controle agressivo dos fatores de risco cardiovasculares (HAS, DM, dislipidemia), terapia antiplaquetária e, em alguns casos, intervenção cirúrgica ou endovascular para as estenoses carotídeas. A ansiedade e cefaleia crônica, embora não diretamente relacionadas ao AVC, podem ser comorbidades que impactam a qualidade de vida e o manejo geral da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para acidente vascular cerebral isquêmico?

Os principais fatores de risco para AVC isquêmico incluem hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, fibrilação atrial, doença aterosclerótica carotídea e histórico familiar de AVC.

Como a estenose da artéria carótida interna causa AVC?

A estenose da artéria carótida interna pode causar AVC por dois mecanismos principais: embolização de placas ateroscleróticas para o cérebro ou hipoperfusão cerebral distal devido à redução significativa do fluxo sanguíneo.

Qual a importância do controle da hipertensão e diabetes na prevenção secundária do AVC?

O controle rigoroso da hipertensão arterial e do diabetes mellitus é fundamental na prevenção secundária do AVC, pois reduz significativamente o risco de novos eventos isquêmicos ao estabilizar as placas ateroscleróticas e melhorar a saúde vascular geral.

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