Manejo da Hipertensão no AVC Isquêmico Agudo

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente hipertenso de 70 anos chegou à Unidade Básica de Saúde com 20 minutos de início de hemiparesia súbita, disartria e PA = 184 x 104mmHg. O idoso negou cefaleia, vômitos, uso de AAS e anticoagulantes, doença infecciosa, ou problemas com sangramentos. De acordo com o caso apresentado: Indique se é necessário utilizar medicação para baixar a pressão arterial e justifique suscintamente.

Alternativas

Pérola Clínica

AVC Isquêmico: Só baixar PA se >220/120 ou >185/110 (se candidato a trombólise).

Resumo-Chave

A manutenção de níveis pressóricos mais elevados no AVC isquêmico agudo visa garantir a perfusão da zona de penumbra isquêmica, evitando a expansão do infarto cerebral.

Contexto Educacional

O manejo da pressão arterial no AVC isquêmico é um pilar da neurologia de emergência. A autorregulação cerebral está comprometida na fase aguda, tornando o fluxo sanguíneo dependente da pressão arterial média. Por isso, diretrizes internacionais recomendam permissividade hipertensiva para proteger a penumbra isquêmica, intervindo apenas em extremos ou preparo para reperfusão.

Perguntas Frequentes

Quando tratar a hipertensão no AVC isquêmico?

No AVC isquêmico agudo, o tratamento anti-hipertensivo é indicado apenas se a PA sistólica for > 220 mmHg ou a diastólica > 120 mmHg. Caso o paciente seja candidato à trombólise, o alvo é mais rigoroso: a PA deve ser mantida abaixo de 185/110 mmHg antes do início do fibrinolítico e abaixo de 180/105 mmHg durante e após o procedimento.

Por que não baixar a PA se estiver 184/104 mmHg?

Neste nível pressórico, o paciente não atinge o limiar para tratamento imediato (220/120), a menos que se planeje trombólise. Baixar a PA desnecessariamente pode reduzir o fluxo sanguíneo cerebral para a zona de penumbra — tecido cerebral ainda viável ao redor do núcleo infartado — transformando-o em tecido morto irreversível.

Quais drogas são preferidas se houver indicação?

As drogas de escolha são as de curta duração e fácil titulação por via endovenosa, como o labetalol ou o nitroprussiato de sódio (este último em casos de hipertensão refratária ou níveis muito elevados). O objetivo é uma redução cautelosa de cerca de 15% nas primeiras 24 horas, evitando quedas bruscas.

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