IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2022
Uma paciente de 9 anos, com anemia falciforme, chegou ao pronto-socorro com história de hemiparesia à esquerda há 2 horas. Ao exame físico, encontrava-se consciente, orientada e normotensa. O hemograma mostrou hemoglobina de 8,5g/dL. A tomografia de crânio não mostrou anormalidades. Com base nesse caso hipotético a conduta mais adequada seria:
Anemia falciforme + AVC isquêmico agudo → Transfusão de troca imediata com hemácias fenotipadas.
Em pacientes com anemia falciforme e suspeita de AVC isquêmico agudo, mesmo com TC de crânio normal inicial, a conduta é a transfusão de troca. Isso visa reduzir rapidamente a hemoglobina S e prevenir a progressão do dano isquêmico, sendo crucial para o prognóstico neurológico.
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das complicações neurológicas mais devastadoras da anemia falciforme, afetando principalmente crianças. A incidência é maior em pacientes com genótipo SS e SC. O AVC isquêmico ocorre devido à oclusão de vasos cerebrais por células falciformes, levando à isquemia e infarto. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para minimizar o dano neurológico e melhorar o prognóstico. A fisiopatologia envolve a polimerização da hemoglobina S em condições de hipóxia e acidose, deformando os eritrócitos e levando à vaso-oclusão. O diagnóstico clínico é baseado em déficits neurológicos focais agudos. Embora a tomografia de crânio possa ser normal nas primeiras horas, ela é útil para excluir hemorragia. A ressonância magnética é mais sensível para detectar isquemia precoce. A suspeita deve ser alta em qualquer criança com anemia falciforme que apresente sintomas neurológicos agudos. O tratamento de escolha para o AVC isquêmico agudo em anemia falciforme é a transfusão de troca. Este procedimento visa reduzir rapidamente a hemoglobina S para menos de 30%, utilizando hemácias filtradas e fenotipadas para minimizar reações transfusionais e aloimunização. A transfusão de troca melhora o fluxo sanguíneo cerebral e previne a progressão do infarto. A terapia crônica com transfusões regulares pode ser indicada para prevenir recorrências.
Sinais de AVC em crianças com anemia falciforme incluem hemiparesia, afasia, convulsões, alteração do nível de consciência e cefaleia súbita. A suspeita deve ser alta em qualquer déficit neurológico focal agudo.
A transfusão de troca é a conduta mais adequada porque reduz rapidamente a concentração de hemoglobina S (HbS) para menos de 30%, melhorando o fluxo sanguíneo cerebral e diminuindo o risco de vaso-oclusão e isquemia.
Não, uma TC de crânio normal nas primeiras horas não exclui AVC isquêmico agudo. As alterações isquêmicas podem demorar a aparecer na TC, sendo a ressonância magnética mais sensível. A conduta não deve ser atrasada pela TC normal.
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