AVC Isquêmico Agudo: Avaliação Inicial no Pronto-Socorro

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Homem, 78 anos de idade, apresenta quadro súbito de hemiparesia direita e dificuldade para falar há duas horas da admissão no PS. Após a realização de exame neurológico rápido, qual das seguintes condutas é a mais adequada?

Alternativas

  1. A) Avaliação de eletrólitos e realização de ressonância magnética de crânio com perfusão cerebral imediata.
  2. B) Avaliação de glicemia capilar e realização de eletroencefalograma na urgência.
  3. C) Avaliação de glicemia capilar e avaliação com tomografia de crânio e angiotomografia.
  4. D) Avaliação de eletrólitos e coleta de líquido cefalorraquiano.

Pérola Clínica

Suspeita de AVC agudo → Glicemia capilar + TC crânio (excluir hemorragia) + AngioTC (avaliar grandes vasos).

Resumo-Chave

Em um quadro súbito de déficit neurológico focal sugestivo de AVC, a prioridade é descartar hipoglicemia (que pode mimetizar AVC) e hemorragia intracraniana (contraindicação à trombólise). A TC de crânio sem contraste é essencial para excluir sangramento, e a angiotomografia é crucial para avaliar a oclusão de grandes vasos, guiando a terapia de reperfusão.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico agudo é uma emergência médica que requer reconhecimento e manejo rápidos para minimizar o dano cerebral e melhorar o prognóstico. É a principal causa de incapacidade e a segunda causa de morte no mundo. A apresentação clássica envolve o início súbito de déficits neurológicos focais, como hemiparesia, afasia ou alterações visuais. A avaliação inicial no pronto-socorro deve ser ágil e seguir um protocolo rigoroso. O primeiro passo é a avaliação da glicemia capilar para descartar hipoglicemia, uma condição que pode simular um AVC. Em seguida, a imagem cerebral é imperativa. A tomografia de crânio sem contraste é o exame de escolha para diferenciar rapidamente o AVC isquêmico do hemorrágico, pois a presença de sangramento contraindica a trombólise intravenosa. Após descartar hemorragia, a angiotomografia de crânio e pescoço é essencial para identificar oclusões de grandes vasos, o que pode indicar a necessidade de trombectomia mecânica. O tratamento do AVC isquêmico agudo visa a reperfusão cerebral. A trombólise intravenosa com alteplase é indicada para pacientes que chegam dentro de 4,5 horas do início dos sintomas e preenchem os critérios de elegibilidade. A trombectomia mecânica é uma opção para oclusões de grandes vasos em janelas de tempo estendidas, dependendo de critérios de imagem. O tempo é cérebro, e cada minuto de atraso no tratamento aumenta o risco de sequelas permanentes. Portanto, a agilidade na avaliação e na tomada de decisão é fundamental para o sucesso terapêutico.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da glicemia capilar na avaliação inicial do AVC?

A hipoglicemia pode mimetizar os sintomas de um AVC, causando déficits neurológicos focais. A avaliação rápida da glicemia capilar é crucial para descartar essa condição reversível e evitar tratamentos inadequados para AVC.

Por que a tomografia de crânio é o primeiro exame de imagem no AVC agudo?

A tomografia de crânio sem contraste é o exame de imagem inicial de escolha para diferenciar rapidamente um AVC isquêmico de um AVC hemorrágico. A presença de sangramento contraindica a terapia trombolítica, tornando essa distinção urgente.

Qual o papel da angiotomografia na avaliação do AVC isquêmico?

A angiotomografia de crânio e pescoço é fundamental para identificar oclusões de grandes vasos intracranianos ou extracranianos. Essa informação é crucial para determinar a elegibilidade do paciente para trombectomia mecânica, uma terapia de reperfusão vital em casos selecionados.

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