AVC Isquêmico Agudo: Trombólise com Alteplase e Janela

Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2021

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Paciente do sexo feminino, de 45 anos, dá entrada no pronto-socorro da Santa Casa com hemiparesia direita e afasia, NIHSS 16, PA 130x90 mmHg, FC = 70 bpm. Acompanhante nega comorbidades prévias e refere que a mesma teve infecção por Covid-19 há cerca de um mês. Também refere que os sintomas iniciaram-se há cerca de uma hora. Foi então realizado uma tomografia de crânio sem sinais de isquemia e/ou sangramento, exames laboratoriais e glicemia sem alterações.Diante do caso apresentado, qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) Internação aos cuidados da neurologia para prosseguir investigação com ressonância magnética de crânio.
  2. B) Administrar ataque de ácido acetilsalicílico na dose de 300 mg e internar a paciente em leito de terapia intensiva para prosseguir investigação etiológica.
  3. C) Realizar punção liquórica para descartar processo infeccioso meníngeo.
  4. D) Iniciar Alteplase na dose de 0,9 mg/kg e monitorizar a PA, nível de consciência e déficit neurológico com a escala de NIHSS.

Pérola Clínica

AVC isquêmico agudo + janela terapêutica (<4,5h) + TC sem sangramento → Trombólise com Alteplase.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clínico clássico de AVC isquêmico agudo (hemiparesia, afasia, NIHSS 16) dentro da janela terapêutica para trombólise (sintomas há 1 hora). A tomografia de crânio sem sinais de sangramento ou isquemia estabelecida é crucial para indicar a Alteplase.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico agudo é uma emergência neurológica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para minimizar o dano cerebral e melhorar o prognóstico do paciente. Representa a principal causa de incapacidade e a segunda de mortalidade no mundo. A rápida identificação dos sintomas e o transporte para um centro especializado são cruciais para que o paciente possa se beneficiar das terapias de reperfusão. A fisiopatologia envolve a oclusão de um vaso cerebral, levando à isquemia e morte neuronal. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas neurológicos agudos, e complementado por exames de imagem. A tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste é o exame inicial de escolha para excluir hemorragia intracraniana, uma contraindicação absoluta para a trombólise. A escala NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) quantifica a gravidade do déficit neurológico e auxilia na decisão terapêutica. A trombólise endovenosa com Alteplase é o tratamento padrão-ouro para o AVC isquêmico agudo, desde que administrada dentro da janela terapêutica (geralmente até 4,5 horas do início dos sintomas) e na ausência de contraindicações. A dose recomendada é de 0,9 mg/kg, com 10% administrado em bolus e o restante em infusão contínua por 60 minutos. O monitoramento rigoroso da pressão arterial e do nível de consciência é fundamental após a trombólise para detectar complicações, como a transformação hemorrágica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicação de trombólise com Alteplase no AVC isquêmico agudo?

Os critérios incluem diagnóstico de AVC isquêmico, início dos sintomas < 4,5 horas, idade > 18 anos, e ausência de contraindicações como sangramento intracraniano na TC.

Por que a tomografia de crânio é fundamental antes da trombólise?

A TC de crânio é essencial para excluir hemorragia intracraniana, que é uma contraindicação absoluta para a trombólise, e para identificar sinais precoces de isquemia extensa.

Quais são os principais sinais de alerta de um Acidente Vascular Cerebral (AVC)?

Os principais sinais de alerta são fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo (face, braço ou perna), dificuldade súbita para falar ou entender, confusão, problemas de visão e tontura súbita ou perda de equilíbrio.

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