AVC Isquêmico Agudo: Trombólise e Trombectomia Mecânica

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 68 anos, diabético, hipertenso sem controle adequado, apresentou quadro súbito de hemiparesia completa desproporcionada à esquerda. Foi encaminhado ao PS de AVC urgente, chegando lá com 02 horas de ictus. Ao exame: PA 160 x 110mmHg / FC: 88bpm / RCR 2T BNF / Glicemia: 110mg/dl / Hemograma sem alterações / TAP e TTPA = normais NIHSS = 14 / ASPECTS = 10 / TC de crânio = normal / AngioTC de crânio = oclusão no segmento M1 da artéria cerebral média direita. Diante do quadro neurológico em questão, e imaginando um cenário ideal e otimizado, qual a melhor alternativa terapêutica para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Trombectomia mecânica direta, pois NIHSS muito elevado aumenta a chance de sangramento pós-trombólise.
  2. B) Ressonância de crânio para avaliar Mismatch e trombólise endovenosa.
  3. C) Trombólise endovenosa, angioTC de controle, trombectomia mecânica caso oclusão permaneça.
  4. D) Ressonância de crânio para avaliar Mismatch, trombólise endovenosa seguida de trombectomia mecânica.

Pérola Clínica

AVC isquêmico agudo com oclusão de grande vaso e janela estendida → Trombólise EV + Trombectomia Mecânica.

Resumo-Chave

Pacientes com AVC isquêmico agudo por oclusão de grande vaso, mesmo dentro da janela de 4,5 horas para trombólise EV, se beneficiam da trombectomia mecânica. A avaliação de mismatch por ressonância ou TC de perfusão é crucial para estender a janela da trombectomia, especialmente em casos de oclusão M1.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico agudo é uma emergência neurológica que exige reconhecimento e tratamento imediatos para minimizar o dano cerebral e melhorar o prognóstico funcional. A idade avançada e comorbidades como diabetes e hipertensão descontrolada são fatores de risco significativos. A avaliação rápida com escalas como NIHSS e exames de imagem (TC de crânio para excluir hemorragia e AngioTC para identificar oclusões de grandes vasos) é fundamental. A janela terapêutica para o AVC isquêmico tem se expandido. A trombólise endovenosa com alteplase é o tratamento padrão para pacientes que chegam dentro de 4,5 horas do início dos sintomas e sem contraindicações. No entanto, para oclusões de grandes vasos, como a M1 da artéria cerebral média, a trombectomia mecânica é o tratamento de escolha, com evidências de benefício mesmo em janelas estendidas (até 24 horas em casos selecionados). A estratégia ideal para pacientes com oclusão de grande vaso é a trombólise endovenosa seguida de trombectomia mecânica, se o paciente estiver dentro da janela e apresentar critérios. A ressonância de crânio ou TC de perfusão para avaliar o "mismatch" (penumbra isquêmica versus core infartado) é crucial para selecionar pacientes que se beneficiarão da trombectomia em janelas estendidas, maximizando a chance de recanalização e recuperação neurológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para trombólise endovenosa no AVC isquêmico?

Os critérios incluem diagnóstico de AVC isquêmico, início dos sintomas < 4,5 horas, idade > 18 anos, e ausência de contraindicações como sangramento ativo, AVC prévio recente, ou cirurgia recente.

Quando a trombectomia mecânica é indicada em um AVC isquêmico?

A trombectomia mecânica é indicada para pacientes com AVC isquêmico agudo devido a oclusão de grande vaso (ex: M1 da ACM), com NIHSS elevado, ASPECTS favorável, e dentro da janela de até 24 horas, especialmente se houver mismatch.

O que significa "mismatch" no contexto do AVC isquêmico?

Mismatch refere-se à diferença entre a área de tecido cerebral irreversivelmente danificado (core isquêmico) e a área de penumbra isquêmica (tecido em risco, mas ainda viável). Sua identificação por imagem (ressonância ou TC de perfusão) é crucial para guiar a trombectomia em janelas estendidas.

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