AVC Isquêmico: Manejo Agudo e Fatores de Risco

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 72 anos de idade foi levada ao pronto-socorro, relatando que, no dia anterior, acordou com dificuldade para falar, movimentar o braço e a perna direitos e notou que a boca estava “torta” ao exame. Ela estava consciente, com PA = 178 x 116 mmHg, FC = 84 bpm, FR = 16 irpm e SatO = 98% em ar ambiente. A tomografia de crânio realizada após dois dias de internação revela hipodensidade leucocortical de limites parcialmente definidos envolvendo território da artéria cerebral média esquerda. Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A hipertensão não entra como fator de risco para os eventos isquêmicos cerebrais.
  2. B) O início de corticosteroides e uso profilático de drogas antiepilépticas são recomendados no tratamento desse paciente.
  3. C) Nesse caso, recomenda-se a administração de ácido acetilsalicitico, dose inicial de 325 mg nas primeiras 24 horas a 48 horas.
  4. D) Nessa paciente, a fibrilação atrial não seria fator de risco pelo evento ter acometido o sistema nervoso central.
  5. E) A reabilitação precoce em nada contribui em pacientes estáveis clinicamente, sem apresentar impacto no prognóstico depois do evento.

Pérola Clínica

AVCI isquêmico agudo → AAS 325 mg nas primeiras 24-48h, após exclusão de hemorragia.

Resumo-Chave

Em pacientes com AVC isquêmico agudo, a administração de ácido acetilsalicílico (AAS) na dose de 160-325 mg é recomendada nas primeiras 24 a 48 horas após o início dos sintomas, desde que não haja contraindicações e uma hemorragia intracraniana tenha sido excluída por neuroimagem.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) é uma emergência médica caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, resultando em disfunção neurológica. A apresentação clínica clássica inclui déficits focais agudos, como hemiparesia, afasia e desvio de rima labial. A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável para AVCI, e a fibrilação atrial é uma causa comum de AVC cardioembólico. O diagnóstico é primariamente clínico, complementado por neuroimagem (tomografia ou ressonância magnética de crânio) para diferenciar entre AVC isquêmico e hemorrágico, o que é crucial para a escolha do tratamento. A hipodensidade leucocortical em território vascular específico, como o da artéria cerebral média, é um achado típico de isquemia. O tratamento agudo do AVCI envolve medidas de suporte e, em casos selecionados, trombólise intravenosa ou trombectomia mecânica. A administração de ácido acetilsalicílico (AAS) na dose de 160-325 mg é recomendada nas primeiras 24 a 48 horas após o início dos sintomas, após exclusão de hemorragia. Corticosteroides e antiepilépticos profiláticos não são rotineiramente indicados. A reabilitação precoce é fundamental para a recuperação funcional e deve ser iniciada assim que o paciente estiver clinicamente estável.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do ácido acetilsalicílico no AVC isquêmico agudo?

O AAS, na dose de 160-325 mg, é recomendado nas primeiras 24-48 horas para reduzir o risco de recorrência precoce e melhorar o prognóstico, desde que não haja hemorragia ou outras contraindicações.

Quais são os principais fatores de risco para AVC isquêmico?

Hipertensão arterial sistêmica, fibrilação atrial, dislipidemia, diabetes mellitus, tabagismo e sedentarismo são os principais fatores de risco modificáveis para AVC isquêmico.

A reabilitação precoce é importante em pacientes com AVC?

Sim, a reabilitação precoce é crucial para otimizar a recuperação funcional, prevenir complicações e melhorar o prognóstico a longo prazo em pacientes clinicamente estáveis após um AVC.

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