SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Homem, 59 anos de idade, é trazido ao Pronto-Socorro por colegas de trabalho, devido a alterações súbitas no estado mental e na fala, há uma hora. Ao exame, a pressão arterial encontra-se 170x100mmHg, FC: 80bpm, com ritmo de fibrilação atrial ao monitor. Ausculta com ritmo cardíaco irregular, em 2 tempos, sem sopros. Ao exame neurológico, evidencia-se desvio da rima labial para a esquerda, afasia, com dificuldade para falar e compreender a fala de outras pessoas. A força muscular encontra-se grau 5 em dimídio esquerdo, grau 3 em membro superior direito e 4 em membro inferior direito. Reflexo cutâneo plantar em flexão à esquerda e extensão à direita. A sensibilidade está preservada. Não há sinais de comprometimento de pares cranianos. Sem outros achados significativos ao exame físico.Com base no caso clínico, indique o diagnóstico e a etiologia mais prováveis para o quadro neurológico desse paciente.
AVC isquêmico agudo + FA + déficit neurológico focal súbito → Etiologia cardioembólica, provável oclusão de artéria cerebral média.
A presença de fibrilação atrial (FA) em um paciente com início súbito de déficits neurológicos focais, como afasia e hemiparesia, é altamente sugestiva de um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico de etiologia cardioembólica. A FA é um importante fator de risco para a formação de trombos no átrio esquerdo, que podem embolizar para o cérebro, sendo a artéria cerebral média a mais frequentemente afetada.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico é uma emergência médica caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, resultando em morte celular. É a principal causa de incapacidade e uma das maiores causas de mortalidade no mundo. O reconhecimento rápido dos sinais e sintomas é crucial para o manejo agudo, que pode incluir trombólise ou trombectomia mecânica, dependendo do tempo de início dos sintomas e da elegibilidade do paciente. A etiologia cardioembólica, frequentemente associada à fibrilação atrial (FA), é uma das causas mais comuns de AVC isquêmico. A fisiopatologia do AVC isquêmico cardioembólico envolve a formação de um trombo em uma câmara cardíaca (como no átrio esquerdo em FA) que se desprende e viaja até o cérebro, ocluindo uma artéria. Os sintomas são de início súbito e refletem a área cerebral afetada, como afasia (dificuldade de fala) e hemiparesia (fraqueza em um lado do corpo), que no caso descrito, com desvio de rima labial e hemiparesia direita, sugerem acometimento do hemisfério cerebral esquerdo. A presença de FA no monitor é um forte indício da etiologia cardioembólica, exigindo investigação e manejo específicos para prevenção secundária. O manejo inicial de um AVC isquêmico foca na estabilização do paciente, avaliação neurológica rápida (ex: escala NIHSS), e realização de neuroimagem (tomografia de crânio) para excluir hemorragia e determinar a elegibilidade para terapias de reperfusão. Após a fase aguda, a prevenção secundária é fundamental, e em casos de AVC cardioembólico por FA, a anticoagulação oral é a pedra angular do tratamento. Para residentes, é imperativo dominar o diagnóstico diferencial do AVC, identificar os fatores de risco e compreender as opções terapêuticas agudas e de prevenção secundária para otimizar o prognóstico dos pacientes.
Os sinais e sintomas de um AVC isquêmico incluem início súbito de fraqueza ou dormência em um lado do corpo (face, braço ou perna), dificuldade para falar ou entender a fala (afasia), desvio da rima labial, alterações visuais e perda de equilíbrio ou coordenação. A apresentação varia conforme a área cerebral afetada.
A fibrilação atrial é um fator de risco significativo para AVC isquêmico porque o ritmo cardíaco irregular e rápido nos átrios promove a estase sanguínea, facilitando a formação de coágulos (trombos) no átrio esquerdo. Esses trombos podem se desprender e viajar pela corrente sanguínea até o cérebro, causando um AVC embólico.
O reflexo cutâneo plantar em extensão, ou sinal de Babinski, indica uma lesão no trato corticoespinhal (via piramidal) no sistema nervoso central. Em um paciente com suspeita de AVC, sua presença no lado contralateral à hemiparesia reforça a localização da lesão no hemisfério cerebral oposto, auxiliando na topografia da lesão.
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