INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um homem de 65 anos de idade, com diabetes e hipertensão arterial não controladas, é trazido à Emergência de um hospital terciário com hemiplegia direita e afasia iniciadas há 2 horas. Ao exame, encontra-se sonolento, acorda ao estímulo verbal, obedece aos comandos. Apresenta afasia de expressão, pupilas isocóricas e fotorreagentes, hemiplegia do dimídio direito. Pressão arterial = 190 x 120 mmHg, frequência cardíaca = 100 bpm, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente, auscultas cardíaca e pulmonar normais. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste, realizada na Emergência, foi normal. Qual a melhor conduta a ser realizada na sequência do atendimento?
AVC Isquêmico + PA > 185/110 mmHg → Controlar PA antes da trombólise; se incontrolável, AAS é a alternativa.
Embora o paciente esteja na janela de 2h, a PA de 190/120 mmHg é uma contraindicação relativa à trombólise imediata. Se a PA não for reduzida, o AAS torna-se a conduta para prevenção secundária precoce.
O manejo do AVC isquêmico agudo é tempo-dependente. A tomografia de crânio normal nas primeiras horas corrobora o diagnóstico de isquemia (visto que a TC demora a mostrar hipodensidade). A principal decisão clínica é a elegibilidade para trombólise endovenosa com rtPA dentro da janela de 4,5 horas. Contudo, a segurança do procedimento depende do controle rigoroso da pressão arterial. Níveis acima de 185/110 mmHg aumentam drasticamente o risco de hemorragia intracerebral sintomática. Em casos onde a trombólise é contraindicada ou não pode ser realizada com segurança, a antiagregação plaquetária com AAS 100-300mg deve ser iniciada precocemente, exceto se houver plano de trombólise iminente.
No contexto desta questão específica, a PA de 190/120 mmHg excede o limite de segurança para trombólise (185/110 mmHg). Se o examinador considera a PA como não controlada ou se não há opção de controle imediato, o AAS dentro das primeiras 24-48h é a conduta padrão para reduzir recorrência, conforme diretrizes para pacientes não elegíveis à trombólise.
Para iniciar a trombólise com rtPA, a pressão arterial deve estar obrigatoriamente abaixo de 185/110 mmHg. Após o início da infusão, a PA deve ser mantida abaixo de 180/105 mmHg por pelo menos 24 horas para minimizar o risco de transformação hemorrágica.
O Nitroprussiato de Sódio é geralmente reservado para emergências hipertensivas com PA diastólica > 140 mmHg ou quando outros agentes (como Labetalol ou Nicardipina) falham em manter a PA nos alvos de trombólise, devido ao risco de aumento da pressão intracraniana.
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