SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 68 anos de idade, com histórico de hipertensão e diabetes mellitus tipo 2, é admitido no Pronto-Socorro. Deitou-se para cochilar e, ao despertar, apresentava fraqueza do lado direito do corpo e dificuldade para falar. No exame neurológico, apresenta disartria e hemiplegia direita. A tomografia de crânio, sem contraste, é realizada e não mostra sinais de hemorragia intracraniana. A glicemia capilar é de 145 mg/dL, e os sinais vitais estão estáveis.\n\nEm relação à meta glicêmica, nas primeiras 24 horas, a conduta mais adequada é:
AVC agudo → Manter glicemia entre 140-180 mg/dL (evitar hipo e hiper extrema).
O controle glicêmico moderado no AVC agudo previne a lesão neuronal adicional causada pela hiperglicemia sem os riscos de hipoglicemia iatrogênica.
O manejo metabólico é um pilar da fase aguda do AVC. Além do controle pressórico e da terapia de reperfusão, manter a homeostase glicêmica é crucial. A hiperglicemia reativa (estresse) ou pré-existente (diabetes) deve ser manejada com cautela. O alvo de 140-180 mg/dL equilibra a necessidade de reduzir a toxicidade da glicose no tecido isquêmico com a segurança de evitar a hipoglicemia, que privaria os neurônios de seu principal substrato energético em um momento de vulnerabilidade extrema.
A hiperglicemia no contexto de isquemia cerebral aumenta o metabolismo anaeróbico, levando ao acúmulo de lactato e acidose tecidual. Isso agrava a lesão na zona de penumbra isquêmica, aumenta a permeabilidade da barreira hematoencefálica e favorece o edema cerebral e a transformação hemorrágica. Estudos observacionais mostram que pacientes hiperglicêmicos na admissão por AVC têm piores desfechos funcionais.
As principais diretrizes (AHA/ASA) recomendam tratar a hiperglicemia para manter os níveis de glicose sérica entre 140 e 180 mg/dL. Valores acima de 180 mg/dL devem ser corrigidos com insulina (preferencialmente protocolos de escala ou infusão conforme a gravidade), enquanto valores abaixo de 60 mg/dL devem ser tratados imediatamente para evitar neuroglicopenia.
Não. A insulina em BIC é reservada para casos de hiperglicemia grave ou persistente de difícil controle com doses subcutâneas. O uso rotineiro de BIC para controle intensivo (metas baixas) não demonstrou benefício clínico superior ao controle moderado e aumentou o risco de episódios de hipoglicemia grave, que podem mimetizar ou agravar o déficit neurológico.
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