FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Paciente de 36 anos apresenta quadro súbito de hemiparesia e afasia. Ela esteve gestante até 40 dias atrás, sendo seu parto normal e a termo. Ele chega à unidade de saúde, uma hora após o início dos sintomas. Observe a imagem da tomografia a seguir.Com relação à terapêutica, assinale a alternativa correta.
AVC isquêmico no puerpério → Trombólise se PA < 185x110 mmHg e sem contraindicações absolutas.
O puerpério é um período de risco aumentado para AVC isquêmico devido ao estado de hipercoagulabilidade. A trombólise endovenosa com alteplase é uma opção terapêutica se o paciente chegar dentro da janela terapêutica e cumprir os critérios de pressão arterial e ausência de contraindicações, sendo o parto recente uma contraindicação relativa que deve ser avaliada.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico no puerpério é uma condição rara, mas grave, que exige reconhecimento e manejo rápidos. O puerpério, especialmente as primeiras semanas pós-parto, é um período de risco aumentado para eventos tromboembólicos devido às alterações fisiológicas da gravidez, como o estado de hipercoagulabilidade, estase venosa e lesão endotelial. A apresentação clínica é semelhante à de outras populações, com sintomas neurológicos focais de início súbito. O diagnóstico é feito por neuroimagem, sendo a tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) essenciais para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico. A imagem fornecida na questão, embora não visível, presumivelmente mostra um AVC isquêmico sem sinais de hemorragia. O tempo é crítico no manejo do AVC isquêmico agudo, e a trombólise endovenosa com alteplase é a principal terapia de reperfusão, se administrada dentro da janela terapêutica (geralmente 4,5 horas do início dos sintomas). Para a trombólise, é imperativo que a pressão arterial seja mantida rigorosamente abaixo de 185/110 mmHg antes e durante a infusão para minimizar o risco de hemorragia intracraniana. O parto recente (geralmente dentro de 3 semanas) é considerado uma contraindicação relativa para a trombólise, devido ao risco de sangramento. No entanto, a decisão deve ser individualizada, ponderando o risco de hemorragia versus o benefício da reperfusão, especialmente em casos de parto vaginal sem complicações hemorrágicas significativas.
O puerpério é um estado de hipercoagulabilidade, aumentando o risco de eventos tromboembólicos. Outros fatores incluem pré-eclâmpsia, eclampsia, hemorragia pós-parto e infecções.
Manter a pressão arterial abaixo de 185/110 mmHg é crucial antes e durante a trombólise para reduzir o risco de transformação hemorrágica do AVC isquêmico, uma complicação grave.
Não é uma contraindicação absoluta, mas sim relativa. A decisão depende do tipo de parto (normal vs. cesárea), complicações hemorrágicas e o tempo decorrido, exigindo avaliação individualizada do risco-benefício.
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