PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022
Paulo, 49 anos, caminhoneiro, com antecedente de hipertensão arterial com tratamento irregular, é trazido ao pronto-socorro por quadro súbito de hemiparesia à direita e afasia, cerca de 45 minutos atrás. Pontua 14 na escala do NIHSS (National Institute of Health Stroke Scale). Qual o próximo passo que deve ser realizado no Paulo?
Suspeita de AVC agudo → TC de crânio URGENTE para excluir hemorragia antes de qualquer tratamento específico.
Em um quadro súbito de déficit neurológico sugestivo de AVC, a prioridade é realizar uma tomografia de crânio (TC) sem contraste o mais rápido possível. O objetivo é diferenciar um AVC isquêmico de um AVC hemorrágico, pois a conduta terapêutica (especialmente a trombólise) é drasticamente diferente e contraindicada em caso de hemorragia.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma emergência médica tempo-dependente, onde cada minuto conta para preservar a função cerebral. A apresentação clínica, como hemiparesia súbita e afasia, é altamente sugestiva de AVC, e a rapidez no diagnóstico e tratamento é crucial para minimizar sequelas. A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para AVC. No pronto-socorro, a avaliação inicial de um paciente com suspeita de AVC deve ser rápida e focada. Após a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC), o próximo passo essencial é a realização de uma neuroimagem. A tomografia de crânio (TC) sem contraste é o exame de escolha inicial devido à sua rapidez e capacidade de excluir hemorragia intracraniana. A presença de hemorragia contraindica a trombólise. A escala NIHSS é utilizada para quantificar a gravidade do AVC e auxiliar na decisão terapêutica. Se a TC de crânio excluir hemorragia e o paciente estiver dentro da janela terapêutica (geralmente até 4,5 horas para trombólise intravenosa com alteplase), a trombólise pode ser considerada. A ressonância nuclear magnética, embora mais detalhada para isquemia, não é o exame inicial devido à sua menor disponibilidade e tempo de aquisição. A administração de antiagregantes plaquetários como o AAS é postergada até a exclusão de hemorragia e, em casos de trombólise, iniciada 24 horas após.
Os sinais de alerta de um AVC agudo incluem fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo (face, braço ou perna), dificuldade súbita para falar ou entender a fala (afasia), confusão, problemas de visão súbitos em um ou ambos os olhos, e tontura ou perda de equilíbrio.
A tomografia de crânio sem contraste é o exame inicial de escolha porque é rápida, amplamente disponível e eficaz para excluir hemorragia intracraniana, que é uma contraindicação absoluta para a trombólise com alteplase. Embora não visualize bem o AVC isquêmico agudo nas primeiras horas, sua principal função é descartar sangramento.
A escala NIHSS (National Institute of Health Stroke Scale) é uma ferramenta padronizada para quantificar a gravidade do déficit neurológico em pacientes com AVC. Ela ajuda a determinar a elegibilidade para tratamentos como a trombólise, monitorar a evolução do paciente e prever o prognóstico.
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