HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 75 anos, previamente portadora de HAS. É admitida no Departamento de Emergência com queixa de vertigem súbita há 30 minutos, progressiva, associada a náuseas. Na admissão paciente apresenta PA: 160x100 mmHg, FC: 100 bpm, arrítmica. Exame neurológico com ataxia, hemi-hipoestesia direita e disartria.Assinale a melhor hipótese diagnóstica e conduta.
Vertigem súbita + sinais neurológicos focais (ataxia, disartria, hemi-hipoestesia) → AVC central; realizar TC de crânio e sintomáticos (Dimenidrinato).
A vertigem súbita associada a outros déficits neurológicos focais, como ataxia, disartria e hemi-hipoestesia, é altamente sugestiva de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) de origem central, frequentemente envolvendo o tronco cerebral ou cerebelo. A conduta imediata inclui a realização de uma TC de crânio para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico e o controle sintomático da vertigem/náuseas com medicamentos como o dimenidrinato.
A vertigem é uma sensação ilusória de movimento que pode ter causas periféricas (do labirinto ou nervo vestibular) ou centrais (do tronco cerebral ou cerebelo). A diferenciação é crucial, pois a vertigem central, especialmente de início súbito, pode ser um sintoma de Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma emergência neurológica. Pacientes com fatores de risco como hipertensão arterial e fibrilação atrial (sugerida pelo ritmo cardíaco arrítmico) têm maior risco de AVC. O diagnóstico de vertigem central é fortemente sugerido pela presença de outros déficits neurológicos focais, como ataxia (incoordenação), disartria (dificuldade na fala) e hemi-hipoestesia (diminuição da sensibilidade em um lado do corpo). Esses achados apontam para uma lesão no sistema nervoso central, e não apenas no labirinto. A avaliação neurológica completa é indispensável. A conduta imediata para um paciente com suspeita de AVC inclui a estabilização hemodinâmica e a realização urgente de uma tomografia computadorizada de crânio para diferenciar um AVC isquêmico de um hemorrágico, o que guiará o tratamento específico. O controle sintomático da vertigem e náuseas com medicamentos como o dimenidrinato pode ser útil enquanto a investigação diagnóstica prossegue, mas não substitui a necessidade de identificar e tratar a causa subjacente.
A vertigem central é frequentemente acompanhada de outros sinais neurológicos focais (disartria, ataxia, diplopia, fraqueza ou dormência), nistagmo vertical ou que muda de direção, e não é suprimida pela fixação do olhar. Geralmente, é menos intensa, mas mais constante que a periférica.
A TC de crânio é fundamental para diferenciar rapidamente um AVC isquêmico de um AVC hemorrágico. Essa distinção é crucial, pois o manejo agudo é completamente diferente, especialmente em relação à trombólise para AVC isquêmico ou controle da pressão arterial em AVC hemorrágico.
O dimenidrinato é um anti-histamínico com propriedades antieméticas e sedativas, útil para o alívio sintomático da vertigem e náuseas em quadros agudos. Ele atua no sistema vestibular, mas não trata a causa subjacente da vertigem central.
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