HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Um médico residente comparece à unidade de saúde ocupacional após acidente perfurante com agulha de gasometria arterial de um paciente internado na unidade de terapia intensiva. O acidente ocorreu há 16 horas, com perfuração da palma da mão esquerda e com saída de sangue pelo ferimento. Foi inicialmente feita lavagem abundante com água e sabão, além de compressão local. O paciente-fonte está internado há 5 dias por pneumonia, estando intubado, sedado e sem acompanhantes. Também não possui sorologias conhecidas. O paciente exposto possui 3 doses de vacina para hepatite B, com último anti-HBs 10UI/mL, e sorologias prévias para vírus da imunodeficiência humana (HIV), hepatites B e C negativas. Assinale a alternativa que contém uma conduta correta que deve ser adotada neste momento:
Acidente perfurocortante >2h: iniciar PEP HIV se fonte desconhecida/alto risco; testar exposto para HIV, HBV, HCV no momento zero.
Em acidentes perfurocortantes, a avaliação do risco e a conduta devem ser imediatas. Mesmo com sorologias prévias negativas, a exposição recente exige reavaliação do status do exposto para HIV, HBV e HCV, além da profilaxia pós-exposição (PEP) se indicada, especialmente quando a fonte é desconhecida ou de alto risco.
Acidentes perfurocortantes são eventos comuns em ambientes de saúde, representando um risco significativo de transmissão ocupacional de patógenos como HIV, HBV e HCV. A conduta imediata e adequada é crucial para minimizar esse risco. A avaliação deve considerar o tipo de exposição, o material biológico envolvido e o status sorológico do paciente-fonte e do profissional exposto. No caso de paciente-fonte desconhecido ou de alto risco, a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV deve ser considerada e iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas e no máximo em 72 horas. A PEP para HIV é realizada com antirretrovirais, geralmente um esquema de três drogas. Para Hepatite B, a vacinação prévia e a titulação de anti-HBs são determinantes. Um anti-HBs ≥ 10 UI/mL confere proteção. É fundamental realizar sorologias para HIV, HBV e HCV no profissional exposto no momento zero (basal) para documentar o status pré-exposição e, posteriormente, em intervalos definidos (geralmente 3 e 6 meses) para monitorar a soroconversão. O teste rápido para HIV no exposto no momento zero é uma conduta correta para identificar uma possível infecção preexistente e orientar o manejo adequado.
A PEP para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 2 horas após a exposição, e no máximo em até 72 horas. Após 72 horas, sua eficácia é significativamente reduzida, tornando a intervenção menos eficaz.
A IGHAIB é indicada para o exposto não vacinado ou com vacinação incompleta, ou para aqueles que não responderam à vacina (anti-HBs < 10 UI/mL), se a fonte for HBsAg positiva ou desconhecida de alto risco. No caso, o exposto tem anti-HBs > 10 UI/mL, indicando proteção.
O teste rápido para HIV no exposto no momento zero serve para documentar o status sorológico pré-exposição. Um resultado positivo indicaria uma infecção preexistente, não relacionada ao acidente, e a necessidade de iniciar o tratamento antirretroviral, não apenas a PEP.
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