Picada de Cobra-Cipó: Manejo Correto e Sintomático

UOPCCAN - União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (PR) — Prova 2021

Enunciado

Paciente 45 anos, com história de há 48 horas ter sido picado por cobra do grupo Colubrídeos conhecida como Cobra-Cipó, assinale a conduta correta:

Alternativas

  1. A) Sintomáticos apenas e acompanhamento na UBS.
  2. B) Soro anti-ofídico inespecífico, hidratação com Ringer Lactato, monitorização função renal e cardíaca em UTI.
  3. C) Soro crotálico especifico em 48 horas, sendo repetido após 48h se aparecimento de lesões necróticas, acompanhamento em enfermaria.
  4. D) Soro bothrópico, específico para neutralizar a neurotoxina capaz de gerar oftalmoplegia e rabdomiólise, acompanhamento em UTI.
  5. E) Soro elapídico, especifico para neurotoxina ativa, atentar para possível evolução de paralisia flácida, acompanhamento inicial em enfermaria.

Pérola Clínica

Picada de Cobra-Cipó (Colubrídeos não peçonhentos) → tratamento sintomático e acompanhamento ambulatorial.

Resumo-Chave

A Cobra-Cipó pertence ao grupo dos Colubrídeos, que são serpentes geralmente não peçonhentas ou com peçonha de baixa toxicidade para humanos. Nesses casos, a conduta é apenas sintomática e observação, sem necessidade de soro anti-ofídico.

Contexto Educacional

Os acidentes ofídicos são emergências médicas importantes no Brasil, mas a conduta varia drasticamente dependendo da espécie da serpente envolvida. O grupo Colubrídeos é vasto e inclui a Cobra-Cipó (Philodryas olfersii), que é uma serpente opistóglifa, ou seja, possui dentes inoculadores de peçonha localizados na parte posterior da maxila. No entanto, a peçonha da maioria dos colubrídeos, incluindo a Cobra-Cipó, é de baixa toxicidade para humanos e raramente causa envenenamento grave. A identificação da serpente é crucial. Em casos de picada por Cobra-Cipó, os sintomas costumam ser leves e localizados, como dor, edema discreto e, por vezes, equimose ou sangramento no local da picada. Não há relatos de neurotoxicidade, coagulopatia significativa ou rabdomiólise associadas a essa espécie. Portanto, a conduta é conservadora, focada no alívio dos sintomas e na observação. O tratamento para picadas de Cobra-Cipó consiste em medidas sintomáticas, como analgesia, limpeza do local da picada e acompanhamento ambulatorial na Unidade Básica de Saúde (UBS). O uso de soro anti-ofídico é contraindicado, pois não há indicação clínica e expõe o paciente aos riscos de reações adversas ao soro sem benefício terapêutico. É fundamental educar a população sobre a diferenciação entre serpentes peçonhentas e não peçonhentas para evitar pânico e tratamentos inadequados.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar uma picada de cobra peçonhenta de uma não peçonhenta?

Serpentes peçonhentas no Brasil (Bothrops, Crotalus, Lachesis, Micrurus) geralmente possuem fosseta loreal, cabeça triangular e cauda afilada. A picada deixa duas marcas de presas. Serpentes não peçonhentas têm cabeça oval e ausência de fosseta loreal, com múltiplas marcas de dentes.

Quando o soro anti-ofídico é indicado?

O soro anti-ofídico é indicado apenas para acidentes com serpentes peçonhentas, de acordo com o gênero da cobra e a gravidade do envenenamento, e deve ser administrado em ambiente hospitalar.

Quais são os sintomas esperados após uma picada de Cobra-Cipó?

A picada de Cobra-Cipó geralmente causa apenas dor local leve, edema discreto e, ocasionalmente, sangramento local. Sintomas sistêmicos ou graves são raros ou ausentes, não havendo risco de neurotoxicidade ou coagulopatia significativa.

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