FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020
Menino de 10 anos refere ter sido picado no pé direito enquanto brincava com uma pipa em um terreno da área rural de um município do interior de São Paulo. Foi então levado por sua mãe até o pronto-socorro municipal. O menino apresentava-se consciente, sudoreico com dor intensa no pé, apresentou vômito e posteriormente evoluiu com priapismo. Qual o diagnóstico do tipo de acidente?
Acidente botrópico → dor local, edema, sangramento. Priapismo é atípico para botrópico, mais comum em Phoneutria.
O acidente ofídico botrópico, causado principalmente por jararacas, manifesta-se com dor e edema local, equimose, bolhas e sangramento. O priapismo, embora presente no enunciado, não é uma característica típica do envenenamento botrópico, sendo mais associado a picadas de aranha-armadeira (Phoneutria) ou escorpiões em casos graves.
O acidente ofídico botrópico, causado principalmente por serpentes do gênero Bothrops (jararacas), é o mais comum no Brasil, representando cerca de 90% dos casos. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecer suas manifestações clínicas e iniciar o tratamento adequado prontamente, devido ao potencial de complicações locais e sistêmicas. A epidemiologia rural e a faixa etária pediátrica são fatores de risco importantes a serem considerados na anamnese. A fisiopatologia do envenenamento botrópico envolve a ação de enzimas proteolíticas, hialuronidases e fosfolipases, que causam dano tecidual local, e toxinas que afetam a coagulação, levando a sangramentos. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história da picada e nos sinais e sintomas apresentados. A avaliação da coagulação (tempo de coagulação) é fundamental para classificar a gravidade e guiar o tratamento. O manejo clínico na emergência consiste em suporte vital, analgesia e, principalmente, a administração do soro antibotrópico (SAB) em dose adequada à gravidade do caso. A hidratação e o monitoramento de complicações como síndrome compartimental e infecções secundárias são essenciais. O prognóstico geralmente é bom com tratamento precoce, mas atrasos podem levar a sequelas graves ou óbito.
Os principais sinais e sintomas incluem dor e edema local, equimose, bolhas, sangramento no local da picada e, sistemicamente, alterações da coagulação. A necrose tecidual pode ocorrer em casos mais graves.
A conduta inicial envolve imobilização do membro afetado, analgesia, avaliação do grau de envenenamento e administração precoce de soro antibotrópico. É fundamental monitorar sinais vitais e coagulação.
A diferenciação se baseia nas características do veneno: o botrópico causa principalmente alterações locais e de coagulação. Outros acidentes, como o crotálico, causam neurotoxicidade e miotoxicidade, enquanto o loxocélico causa lesão necrótica e o phoneútrico, dor intensa e manifestações autonômicas como priapismo.
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