HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2020
Paciente procedente do interior do estado foi vítima de picada de cobra e apresenta o seguinte quadro clínico: dois orifícios em perna esquerda, com formigamento no local, sem dor. Apesar de responder a solicitação tem dificuldade de manter olhos abertos. Queixa de visão turva e diplopia. Apresenta mal-estar, irritabilidade, náuseas, cefaleia e mialgia. Relata ainda diurese escura. Com o quadro clínico citado, a qual grupo pertence a serpente responsável pelo acidente?
Picada de cobra + neurotoxicidade (ptose, diplopia) + miotoxicidade (mialgia, diurese escura) = Acidente Crotálico.
O quadro clínico de neurotoxicidade (dificuldade de manter olhos abertos, visão turva, diplopia - a chamada "fácies neurotóxica") e miotoxicidade (mialgia, diurese escura devido à rabdomiólise) é altamente sugestivo de envenenamento por serpentes do gênero Crotalus, popularmente conhecidas como cascavéis. Outros sintomas sistêmicos como mal-estar, náuseas e cefaleia também são comuns.
Os acidentes ofídicos representam uma emergência médica importante em regiões endêmicas, e o reconhecimento rápido do gênero da serpente é fundamental para a escolha do soro antiveneno adequado. No Brasil, os principais gêneros de serpentes peçonhentas são Bothrops (jararacas), Crotalus (cascavéis), Lachesis (surucucus) e Micrurus (corais verdadeiras), cada um com um quadro clínico característico. O envenenamento por serpentes do gênero Crotalus (acidente crotálico) é marcado por uma combinação de neurotoxicidade e miotoxicidade. A neurotoxicidade manifesta-se pela "fácies neurotóxica", que inclui ptose palpebral, visão turva, diplopia e dificuldade de manter os olhos abertos, além de paralisia de outros nervos cranianos. A miotoxicidade é evidenciada por mialgia generalizada e rabdomiólise, que pode levar à urina escura (mioglobinúria) e insuficiência renal aguda. Os sinais locais da picada de cascavel são geralmente discretos, com pouca dor ou edema, o que pode atrasar o diagnóstico se não houver atenção aos sintomas sistêmicos. O tratamento consiste na administração do soro anticrotálico, que neutraliza as toxinas, e medidas de suporte para a insuficiência renal e outras complicações. A rápida identificação do quadro clínico é vital para um desfecho favorável.
O envenenamento crotálico é caracterizado por neurotoxicidade (ptose palpebral, diplopia, visão turva, paralisia facial), miotoxicidade (mialgia, urina escura por rabdomiólise), e alterações sistêmicas como mal-estar, náuseas e cefaleia. Os sinais locais costumam ser discretos.
O acidente botrópico (jararaca) causa principalmente dor e edema local intensos, sangramento (gengivorragia, equimoses) e coagulopatia. O acidente crotálico (cascavel) tem sinais locais discretos, mas predomina a neurotoxicidade e miotoxicidade sistêmicas.
O tratamento principal é a soroterapia específica com soro anticrotálico, administrado por via intravenosa. Medidas de suporte, como hidratação para prevenir lesão renal por rabdomiólise, também são cruciais.
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