TIA de Alto Risco: Avaliação ABCD2 e Conduta Urgente

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 72 anos, hipertenso e diabético, apresenta episódio súbito de déficit motor em braço direito, associado a dificuldade de fala, que durou aproximadamente 20 minutos e se resolveu espontaneamente. Ao exame físico, encontra-se sem déficits neurológicos, com pressão arterial de 150/95 mmHg e frequência cardíaca de 76 bpm. Não há história prévia de AVC. Você decide utilizar o escore ABCD2 para avaliar o risco do paciente. Considerando os fatores de risco e sintomas apresentados, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta neste caso.

Alternativas

  1. A) Iniciar aspirina e encaminhar para investigação ambulatorial.
  2. B) Realizar controle pressórico e encaminhar para investigação ambulatorial.
  3. C) Iniciar dupla antiagregação com aspirina e clopidogrel e manter o paciente internado para investigação imediata.
  4. D) Iniciar anticoagulação plena com heparina para prevenção de novo evento.
  5. E) Realizar terapia fibrinolítica endovenosa.

Pérola Clínica

TIA de alto risco (ABCD2 ≥ 4) → dupla antiagregação (AAS + clopidogrel) + internação para investigação urgente.

Resumo-Chave

O escore ABCD2 avalia o risco de AVC após um TIA. Pacientes com escore alto (≥4) têm risco significativo de AVC em 48h-7 dias, justificando dupla antiagregação e internação para investigação etiológica imediata, como Doppler de carótidas e ecocardiograma.

Contexto Educacional

O Acidente Isquêmico Transitório (TIA) é uma emergência neurológica definida por um episódio breve de disfunção neurológica causada por isquemia cerebral focal, retiniana ou da medula espinhal, sem infarto agudo. Sua importância reside no fato de ser um forte preditor de AVC isquêmico, com até 15% dos pacientes sofrendo um AVC em 3 meses, sendo metade deles nas primeiras 48 horas. A avaliação do risco de AVC após um TIA é crucial e pode ser feita pelo escore ABCD2, que considera idade, pressão arterial, características clínicas, duração dos sintomas e diabetes. Um escore ≥ 4 indica alto risco e exige investigação e tratamento urgentes. A fisiopatologia envolve principalmente aterosclerose de grandes vasos, cardioembolismo ou doença de pequenos vasos. A conduta em TIA de alto risco inclui internação hospitalar para investigação etiológica imediata (neuroimagem, Doppler de carótidas, ecocardiograma) e início de dupla antiagregação (aspirina e clopidogrel) por um período limitado, geralmente 21-90 dias, seguido por antiagregação única. O objetivo é prevenir um AVC isquêmico subsequente, otimizando o controle dos fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore ABCD2 para TIA?

O escore ABCD2 avalia Idade (>60 anos = 1p), Pressão Arterial (>140/90 mmHg = 1p), Características Clínicas (fraqueza unilateral = 2p, distúrbio de fala sem fraqueza = 1p), Duração dos sintomas (>60 min = 2p, 10-59 min = 1p) e Diabetes (1p).

Por que a dupla antiagregação é indicada em TIA de alto risco?

A dupla antiagregação com aspirina e clopidogrel é indicada para TIA de alto risco (ABCD2 ≥ 4) para reduzir significativamente o risco de AVC isquêmico precoce, especialmente nas primeiras 72 horas após o evento.

Qual a importância da internação para investigação imediata em TIA de alto risco?

A internação permite a realização rápida de exames complementares, como neuroimagem (RM), Doppler de carótidas e ecocardiograma, para identificar a etiologia do TIA e iniciar a prevenção secundária específica antes que ocorra um AVC estabelecido.

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