HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, de 65 anos de idade, foi trazido à unidade de emergência por sua filha com história de disartria há 6 horas. O sintoma se iniciou durante o café da manhã, com reversão espontânea após alguns minutos. Relata que não havia outros adultos em casa e que o quadro foi presenciado apenas pela neta. No momento da admissão, estava assintomático. Possui antecedente de hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2 e dislipidemia, com baixa adesão à terapia medicamentosa prescrita. Ao exame, apresentava pressão arterial de 160x100mmHg, frequência cardíaca de 76bpm, frequência respiratória de 14irpm e saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente. Sem outras alterações. A tomografia de crânio não evidenciou alterações. A ressonância magnética de crânio (sequência DWI) foi feita subsequentemente e também não apresentou alterações. Qual é o diagnóstico do paciente?
Déficit neurológico focal súbito + reversão completa em <24h + exames de imagem negativos → Acidente Isquêmico Transitório (AIT).
O Acidente Isquêmico Transitório (AIT) é caracterizado por um episódio de disfunção neurológica focal de início súbito, causado por isquemia cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo. A reversão completa dos sintomas ocorre em menos de 24 horas, e exames de imagem (TC e RM com DWI) não mostram infarto.
O Acidente Isquêmico Transitório (AIT) é uma emergência neurológica que, embora os sintomas se resolvam espontaneamente, representa um alto risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico nos dias e semanas seguintes. É definido como um episódio transitório de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem evidência de infarto agudo em exames de imagem. A identificação e o manejo rápidos são cruciais para a prevenção secundária. A fisiopatologia do AIT envolve uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, geralmente devido a um tromboembolismo que se dissolve rapidamente. Os fatores de risco são os mesmos do AVC isquêmico, incluindo hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo e fibrilação atrial. O diagnóstico é clínico, baseado na história de sintomas neurológicos focais de início súbito e reversão completa. A ausência de alterações na ressonância magnética com sequência DWI é fundamental para diferenciar AIT de um AVC isquêmico menor. Mesmo com a resolução dos sintomas, o paciente com AIT deve ser avaliado e tratado como uma emergência. A investigação inclui exames para identificar a causa (ex: ultrassom de carótidas, ecocardiograma, Holter) e o manejo envolve o controle agressivo dos fatores de risco, como anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, estatinas e antiagregantes plaquetários (ou anticoagulantes, se houver fibrilação atrial). O prognóstico é melhor com a intervenção precoce, mas o risco de AVC subsequente permanece elevado, exigindo acompanhamento rigoroso.
Os sintomas de AIT são focais e de início súbito, como fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar (disartria ou afasia), perda de visão em um olho, tontura ou desequilíbrio, e duram minutos a poucas horas.
A principal diferença é a ausência de infarto cerebral detectável por imagem (especialmente na sequência DWI da RM) no AIT, e a reversão completa dos sintomas em menos de 24 horas, enquanto no AVC há infarto estabelecido.
O AIT é um sinal de alerta para um AVC iminente. Após a reversão, é crucial investigar a causa (ex: estenose carotídea, fibrilação atrial) e iniciar tratamento agressivo dos fatores de risco (antiagregantes, estatinas, controle de PA e DM) para prevenir um AVC futuro.
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