INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Mulher de 75 anos, previamente portadora de hipertensão arterial sistêmica e diabetes tipo 2, é admitida por quadro de hemiparesia esquerda completa proporcionada há uma hora. Durante a avaliação inicial, o déficit da paciente reverte completamente. Exame físico: PA: 140x80 mmHg; FC: 98 bpm; FR: 20 irpm; SatO2: 98% em ar ambiente. A TC não demonstra área isquêmica. Qual alternativa contempla a provável hipótese diagnóstica e conduta?
AIT: déficit neurológico focal transitório (<24h) com neuroimagem negativa → internação e investigação urgente para prevenção de AVC.
A reversão completa dos sintomas neurológicos focais em um paciente com fatores de risco para AVC, sem evidência de infarto na TC, caracteriza um Acidente Isquêmico Transitório (AIT). A conduta inicial para AIT de alto risco (como indicado pelo escore ABCD2) é a internação hospitalar para investigação etiológica e início da prevenção secundária, que frequentemente inclui dupla antiagregação plaquetária.
O Acidente Isquêmico Transitório (AIT) é definido como um episódio transitório de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo. É um sinal de alerta crucial para um AVC iminente, com um risco significativo de AVC nos primeiros dias após o evento. A identificação e o manejo rápidos são essenciais para a prevenção secundária. A fisiopatologia do AIT envolve a oclusão temporária de um vaso sanguíneo cerebral, geralmente por um trombo ou êmbolo, que se dissolve antes de causar dano tecidual permanente. O diagnóstico é clínico, baseado na história de sintomas neurológicos focais transitórios, e é suportado por exames de imagem que não demonstram infarto agudo. A estratificação de risco, como o escore ABCD2, é fundamental para guiar a conduta, indicando a necessidade de internação para investigação e tratamento urgentes em casos de alto risco. O tratamento do AIT visa prevenir um AVC subsequente e inclui a identificação e o controle dos fatores de risco (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo), além da terapia antiplaquetária (frequentemente dupla antiagregação nos primeiros dias, seguida por monoterapia) e, em alguns casos, anticoagulação ou cirurgia (endarterectomia de carótida). O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce e adequada.
Os sinais de alerta de um AIT são os mesmos de um AVC, mas se resolvem completamente em minutos ou horas. Incluem fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender, perda súbita de visão em um olho e tontura ou desequilíbrio.
A conduta inicial para AIT de alto risco (ABCD2 >= 4) é a internação hospitalar para investigação etiológica urgente, que pode incluir exames de imagem avançados (RM, angiotomografia), ultrassom de carótidas e monitorização cardíaca. O tratamento preventivo, como a dupla antiagregação, deve ser iniciado rapidamente.
O escore ABCD2 estratifica o risco de AVC após um AIT. Pontua idade, pressão arterial, características clínicas, duração dos sintomas e presença de diabetes. Pacientes com escore >= 4 são considerados de alto risco e geralmente se beneficiam de internação para investigação e tratamento imediatos, visando reduzir o risco de AVC em 2-7 dias.
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