Acidente Escorpiônico Pediátrico: Diagnóstico e Sinais Chave

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menino, 1a, é trazido à Emergência com história de choro intenso, agitação, sudorese fria e seis episódios de vômito há cerca de uma hora. Exame físico: regular estado geral; sonolento; choroso; T=36,8°C; FC=175bpm; FR=32irpm; pulsos cheios, enchimento capilar=2seg. Levado à Sala de Urgência. Eletrocardiograma: ritmo sinusal, onda T invertida em algumas derivações e presença de onda U. Glicemia capilar=204mg/dL. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

  1. A) Síndrome do QT longo.
  2. B) Acidente escorpiônico.
  3. C) Sepse criptogênica.
  4. D) Cetoacidose diabética.

Pérola Clínica

Acidente escorpiônico grave em criança → crise autonômica (agitação, sudorese, vômitos, taquicardia, hiperglicemia), ECG com T invertida/onda U.

Resumo-Chave

A picada de escorpião em crianças pode levar a um quadro grave de disfunção autonômica, com liberação de catecolaminas e acetilcolina. Os sintomas incluem agitação, sudorese, vômitos, taquicardia e alterações eletrocardiográficas como inversão de onda T e presença de onda U, além de hiperglicemia, que são achados típicos de envenenamento sistêmico.

Contexto Educacional

O acidente escorpiônico é uma emergência pediátrica comum em regiões endêmicas, com alta morbidade e mortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. Crianças são mais suscetíveis a formas graves devido à menor massa corporal e maior proporção de veneno por peso, levando a uma rápida progressão para disfunção sistêmica. A maioria dos acidentes no Brasil é causada por Tityus serrulatus, que possui veneno neurotóxico. A fisiopatologia envolve a liberação de neurotransmissores (catecolaminas e acetilcolina) que causam uma tempestade autonômica. O diagnóstico é clínico, baseado na história de picada (nem sempre presente) e nos sinais e sintomas característicos, como dor local intensa, sudorese, vômitos, taquicardia, hipertensão/hipotensão e, em casos graves, choque cardiogênico e edema pulmonar. O eletrocardiograma pode mostrar alterações isquêmicas e de repolarização. O tratamento é de suporte, com analgesia e hidratação. Em casos moderados a graves, a administração do soro antiescorpiônico (SAE) é crucial e deve ser feita o mais rápido possível. A monitorização contínua dos sinais vitais, glicemia e ECG é essencial para identificar e manejar complicações como arritmias, choque e edema pulmonar. O prognóstico depende da gravidade do envenenamento e da rapidez do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de um acidente escorpiônico grave em crianças?

Sinais de alerta incluem sudorese profusa, vômitos incoercíveis, agitação ou sonolência excessiva, taquicardia, hipertensão ou hipotensão, e alterações no eletrocardiograma como inversão de onda T ou presença de onda U. A hiperglicemia também é um achado comum.

Qual a conduta inicial para um caso suspeito de acidente escorpiônico grave em pediatria?

A conduta inicial envolve suporte vital, hidratação venosa, controle da dor e, em casos graves com manifestações sistêmicas, a administração precoce do soro antiescorpiônico (SAE). Monitorização cardíaca e da glicemia são fundamentais.

Como diferenciar um acidente escorpiônico de outras emergências pediátricas com sintomas semelhantes?

A presença de sudorese fria, vômitos repetitivos, taquicardia e alterações de ECG (onda T invertida, onda U) em um paciente sem foco infeccioso claro, especialmente em áreas endêmicas, deve levantar forte suspeita de escorpionismo, diferenciando-o de sepse ou outras causas de choque.

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