Acidente Escorpiônico Pediátrico: Manejo e Sinais

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 7 anos em investigação para TEA (Transtorno do Espectro Autista) chega ao pronto atendimento com quadro de choro intenso há menos de duas horas, e com polegar apresentando hiperemia e sudorese locais. Ao exame, está irritado, choroso, taquicárdico, taquipneico e hipertenso. Apresenta vômitos profusos, sialorreia, piloereção, lacrimejamento e priapismo. Dedo indicador com hiperemia e sudorese na polpa digital, sem marcas ou equimoses. Assinale a alternativa que apresenta o que é necessário neste caso: (SAA - Soro antiaracnídico / SAE - Soro antiescorpiônico):

Alternativas

  1. A) Fazer o bloqueio anestésico com lidocaína ou bupivacaína e deixar em observação por 6 a horas, reavaliando frequentemente.
  2. B) Iniciar expansão com SF 10 ml/kg, analgesia endovenosa, e SAA/SAE 10 ampolas - precedido de hidrocortisona e antihistamínico endovenosos.
  3. C) Fazer o bloqueio anestésico, solicitar ECG, ECO e Radiografia X de tórax, e observar por 4 a 6 horas.
  4. D) Analgesia, antiemético, solicitar ECG e ECO; indicar SAE 6 ampolas precedido de corticoide endovenoso.
  5. E) Fazer bloqueio anestésico, solicitar glicemia, amilase, troponina e ECG. Se exames normais, alta após 6 horas de observação.

Pérola Clínica

Criança com sintomas autonômicos graves (vômitos, sialorreia, priapismo, taquicardia) após picada de escorpião → Indicação de SAE e suporte.

Resumo-Chave

O quadro clínico de choro intenso, hiperemia/sudorese local, irritabilidade, taquicardia, taquipneia, hipertensão, vômitos profusos, sialorreia, piloereção, lacrimejamento e priapismo em criança é altamente sugestivo de acidente escorpiônico grave, exigindo soroterapia específica (SAE) e suporte intensivo.

Contexto Educacional

O acidente escorpiônico em crianças é uma emergência médica que exige reconhecimento rápido e tratamento adequado devido à maior vulnerabilidade dos pequenos ao veneno. As manifestações clínicas podem variar de dor local intensa a quadros sistêmicos graves, envolvendo os sistemas nervoso autônomo, cardiovascular e respiratório. No caso apresentado, a criança exibe um conjunto de sintomas autonômicos e sistêmicos graves, como vômitos profusos, sialorreia, piloereção, lacrimejamento, taquicardia, taquipneia, hipertensão e, notavelmente, priapismo. O priapismo é um sinal de gravidade e disfunção autonômica que indica a necessidade de intervenção rápida. A conduta correta para um acidente escorpiônico grave em crianças inclui suporte hemodinâmico (expansão volêmica se necessário), analgesia, antieméticos e, crucialmente, a administração do Soro Antiescorpiônico (SAE). A dose de SAE varia conforme a gravidade, mas 6 a 10 ampolas são comumente usadas em casos graves. A pré-medicação com corticoides e anti-histamínicos pode ser considerada para reduzir o risco de reações anafiláticas ao soro heterólogo. Exames como ECG e ECO são importantes para monitorar a função cardíaca, que pode ser afetada pelo veneno.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade em um acidente escorpiônico em crianças?

Sinais de gravidade incluem manifestações autonômicas (vômitos profusos, sialorreia, sudorese intensa, priapismo), cardiovasculares (taquicardia, hipertensão/hipotensão, arritmias) e respiratórias (taquipneia, edema pulmonar).

Quando o Soro Antiescorpiônico (SAE) é indicado em crianças?

O SAE é indicado em casos moderados a graves, caracterizados por manifestações sistêmicas como as autonômicas e cardiovasculares, especialmente em crianças que são mais vulneráveis.

Qual o papel do bloqueio anestésico local na picada de escorpião?

O bloqueio anestésico local pode aliviar a dor no local da picada, mas não trata os efeitos sistêmicos do veneno. Não deve atrasar a administração do SAE em casos graves.

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