Acidente Crotálico: Sinais Chave e Tratamento Essencial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 5 anos, procedente da zona rural chega na emergência com história de  picada por animal não identificado. Logo em seguida apresentou vômitos, sudorese e sonolência. Ao exame físico: MEG, descorado, acianótico, hidratado. Olhos: ptose palpebral. Boca: seca. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, FR 30 ipm, FC 130 bpm, pulsos cheios. Tempo de enchimento capilar 2 segundos. PA: 100 x 60 mmHg. Abdome: plano, normotenso, indolor, fígado e baço não palpáveis. SN hipotonia de musculatura e midríase. Diante deste quadro clínico qual o soro antiveneno você optaria?

Alternativas

  1. A) Soro antibotrópico.
  2. B) Soro antiloxosceles.
  3. C) Soro anticrotálico.
  4. D) Soro antiescorpiônico.

Pérola Clínica

Acidente crotálico → neurotoxicidade (ptose, midríase, hipotonia) + miotoxicidade (mialgia, urina escura).

Resumo-Chave

O quadro clínico de ptose palpebral, midríase e hipotonia muscular em um paciente com picada de serpente é altamente sugestivo de envenenamento crotálico, causado por serpentes do gênero Crotalus (cascavel), que possuem toxinas neurotóxicas e miotóxicas.

Contexto Educacional

O acidente crotálico, causado pela picada de serpentes do gênero Crotalus (cascavel), é uma emergência médica comum em áreas rurais do Brasil. A identificação precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações graves, incluindo insuficiência respiratória e renal. A cascavel é responsável por uma parcela significativa dos acidentes ofídicos graves no país. A fisiopatologia do envenenamento crotálico envolve a ação de neurotoxinas (crotoxina, girotoxina) que causam paralisia neuromuscular, resultando em ptose palpebral, oftalmoplegia, midríase e, em casos graves, insuficiência respiratória. Além disso, miotoxinas (crotamina) provocam rabdomiólise, que pode levar a mialgia intensa e insuficiência renal aguda devido à mioglobinúria. A suspeita diagnóstica é clínica, baseada na história de picada e nos sinais neurológicos e miotóxicos. O tratamento é feito com soro anticrotálico, administrado por via intravenosa. A dose depende da gravidade do envenenamento (leve, moderado ou grave). O suporte respiratório pode ser necessário em casos de paralisia diafragmática. Monitoramento da função renal e hidratação adequada são fundamentais para prevenir ou tratar a insuficiência renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de neurotoxicidade no acidente crotálico?

Os principais sinais de neurotoxicidade no acidente crotálico incluem ptose palpebral, oftalmoplegia, visão turva, midríase e paralisia de músculos respiratórios, além de hipotonia muscular generalizada.

Qual o tratamento específico para o envenenamento por Crotalus durissus?

O tratamento específico para o envenenamento por Crotalus durissus é a administração intravenosa do soro anticrotálico, cuja dose varia conforme a gravidade do quadro clínico.

Como diferenciar o acidente crotálico de outros acidentes ofídicos?

A diferenciação se baseia nas manifestações clínicas: o crotálico se caracteriza por neurotoxicidade e miotoxicidade, enquanto o botrópico causa principalmente dor e edema local, hemorragia e coagulopatia.

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