HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Paciente de 3 anos chega ao Pronto Socorro com história de picada de cobra a cerca de 6 horas, enquanto andava pelo pasto de zona rural no começo da noite. Apresenta leve edema na perna direita e dor intensa. Mãe refere importante turvação urinária. Apresenta ptose palpebral, anisocoria leve e pouca expressão facial, mesmo nos momentos de dor. Frente aos achados, qual seria a sua hipótese diagnóstica, estadiamento e tratamento?
Acidente Crotálico: Neurotoxicidade (ptose, anisocoria) + nefrotoxicidade (turvação urinária) + dor local.
A picada de cascavel (acidente crotálico) é caracterizada por manifestações locais (dor, edema leve) e sistêmicas, incluindo neurotoxicidade (ptose palpebral, anisocoria, 'fácies miastênica') e nefrotoxicidade (turvação urinária, oligúria). A presença de neurotoxicidade classifica o caso como grave, exigindo 20 ampolas de soro anticrotálico.
Os acidentes ofídicos representam uma emergência médica significativa, especialmente em áreas rurais, e exigem um diagnóstico rápido e tratamento adequado. O acidente crotálico, causado pela picada de serpentes do gênero Crotalus (cascavel), é caracterizado por um quadro clínico peculiar que combina manifestações locais, neurotóxicas e nefrotóxicas. A neurotoxicidade é um dos pilares do diagnóstico, manifestando-se por ptose palpebral, anisocoria, diplopia e uma expressão facial característica, conhecida como 'fácies miastênica', devido à paralisia dos músculos da face. Além disso, a nefrotoxicidade é comum, evidenciada por turvação urinária e, em casos mais graves, oligúria e insuficiência renal aguda. As manifestações locais geralmente são menos intensas que no acidente botrópico, com dor e edema de intensidade variável. A presença de neurotoxicidade, como a ptose e anisocoria descritas na questão, é um critério para classificar o acidente crotálico como grave, o que determina a dose do soro antiofídico. O tratamento consiste na administração do Soro Anticrotálico (SAC) por via intravenosa. Para casos graves, a dose recomendada é de 20 ampolas. É crucial que residentes saibam diferenciar os tipos de acidentes ofídicos pelos seus quadros clínicos específicos, pois o soro é espécie-específico. A identificação precoce dos sinais de neurotoxicidade e nefrotoxicidade é vital para um manejo adequado e para evitar complicações graves, como a insuficiência respiratória ou renal.
Os principais sinais incluem dor e edema local (geralmente leve), neurotoxicidade (ptose palpebral, anisocoria, diplopia, 'fácies miastênica', paralisia de músculos respiratórios) e nefrotoxicidade (turvação urinária, oligúria, insuficiência renal aguda). Pode haver também coagulopatia.
O estadiamento é feito com base na presença e intensidade das manifestações. Leve (5 ampolas) tem apenas dor e edema local. Moderado (10 ampolas) adiciona alterações urinárias ou coagulopatia. Grave (20 ampolas) apresenta neurotoxicidade ou insuficiência renal aguda grave.
O tratamento específico é a administração intravenosa do Soro Anticrotálico (SAC), na dose adequada ao estadiamento da gravidade. Além disso, são indicadas medidas de suporte, como hidratação, analgesia e monitoramento da função renal e respiratória.
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