Acidente Crotálico: Diagnóstico, Estadiamento e Tratamento

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 3 anos chega ao Pronto Socorro com história de picada de cobra a cerca de 6 horas, enquanto andava pelo pasto de zona rural no começo da noite. Apresenta leve edema na perna direita e dor intensa. Mãe refere importante turvação urinária. Apresenta ptose palpebral, anisocoria leve e pouca expressão facial, mesmo nos momentos de dor. Frente aos achados, qual seria a sua hipótese diagnóstica, estadiamento e tratamento?

Alternativas

  1. A) AcidenteBotrópico, Grave, Instituir Soro Antibotrópico 12 Ampolas
  2. B) Acidente Crotálico, Grave, Instituir Soro Anticrotálico, 20 Ampolas
  3. C) Acidente Laquético, Moderado, Instituir Soro Antilaquético, 12 Ampolas
  4. D) Acidente Elapídico, Grave, Instituir Soro Antielapídico, 10 Ampolas
  5. E) Acidente Crotálico, Moderado, Instituir Soro Anticrotálico 10 Ampolas

Pérola Clínica

Acidente Crotálico: Neurotoxicidade (ptose, anisocoria) + nefrotoxicidade (turvação urinária) + dor local.

Resumo-Chave

A picada de cascavel (acidente crotálico) é caracterizada por manifestações locais (dor, edema leve) e sistêmicas, incluindo neurotoxicidade (ptose palpebral, anisocoria, 'fácies miastênica') e nefrotoxicidade (turvação urinária, oligúria). A presença de neurotoxicidade classifica o caso como grave, exigindo 20 ampolas de soro anticrotálico.

Contexto Educacional

Os acidentes ofídicos representam uma emergência médica significativa, especialmente em áreas rurais, e exigem um diagnóstico rápido e tratamento adequado. O acidente crotálico, causado pela picada de serpentes do gênero Crotalus (cascavel), é caracterizado por um quadro clínico peculiar que combina manifestações locais, neurotóxicas e nefrotóxicas. A neurotoxicidade é um dos pilares do diagnóstico, manifestando-se por ptose palpebral, anisocoria, diplopia e uma expressão facial característica, conhecida como 'fácies miastênica', devido à paralisia dos músculos da face. Além disso, a nefrotoxicidade é comum, evidenciada por turvação urinária e, em casos mais graves, oligúria e insuficiência renal aguda. As manifestações locais geralmente são menos intensas que no acidente botrópico, com dor e edema de intensidade variável. A presença de neurotoxicidade, como a ptose e anisocoria descritas na questão, é um critério para classificar o acidente crotálico como grave, o que determina a dose do soro antiofídico. O tratamento consiste na administração do Soro Anticrotálico (SAC) por via intravenosa. Para casos graves, a dose recomendada é de 20 ampolas. É crucial que residentes saibam diferenciar os tipos de acidentes ofídicos pelos seus quadros clínicos específicos, pois o soro é espécie-específico. A identificação precoce dos sinais de neurotoxicidade e nefrotoxicidade é vital para um manejo adequado e para evitar complicações graves, como a insuficiência respiratória ou renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do acidente crotálico?

Os principais sinais incluem dor e edema local (geralmente leve), neurotoxicidade (ptose palpebral, anisocoria, diplopia, 'fácies miastênica', paralisia de músculos respiratórios) e nefrotoxicidade (turvação urinária, oligúria, insuficiência renal aguda). Pode haver também coagulopatia.

Como é feito o estadiamento da gravidade do acidente crotálico?

O estadiamento é feito com base na presença e intensidade das manifestações. Leve (5 ampolas) tem apenas dor e edema local. Moderado (10 ampolas) adiciona alterações urinárias ou coagulopatia. Grave (20 ampolas) apresenta neurotoxicidade ou insuficiência renal aguda grave.

Qual o tratamento específico para o acidente crotálico?

O tratamento específico é a administração intravenosa do Soro Anticrotálico (SAC), na dose adequada ao estadiamento da gravidade. Além disso, são indicadas medidas de suporte, como hidratação, analgesia e monitoramento da função renal e respiratória.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo