HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023
Paciente sexo masculino, 22 anos, do interior do estado, procura atendimento em pronto atendimento com história de início súbito de diplopia, ptose palpebral e sangramento nasal importante associado a hematúria macroscópica. Paciente previamente hígido sem uso de medicações. Ao exame físico além dos achados descritos observa-se a seguinte lesão cutânea: Os exames iniciais solicitados: Hb: 9,8, GL: 6500, Plaq: 150.000mm³, RNI: 2,8, TTPa: 48/25₈, Creatinina: 2,4, Ureia: 110, CPK: 4500 e LDH: 1450. Quanto a possibilidade de acidente com animais peçonhentos, assinale a alternativa CORRETA:
Acidente crotálico (cascavel) → neurotoxicidade (ptose, diplopia), miotoxicidade (rabdomiólise, CPK↑), nefrotoxicidade (IRA).
O acidente crotálico, causado pela cascavel, é caracterizado por neurotoxicidade (facies miastênica, diplopia, ptose), miotoxicidade (rabdomiólise com CPK e LDH elevadas, mialgia) e nefrotoxicidade (IRA). A coagulopatia é menos proeminente que no acidente botrópico, mas pode ocorrer. O tratamento é com soro anticrotálico e suporte, incluindo hidratação vigorosa para prevenir IRA.
Acidentes com animais peçonhentos representam um importante problema de saúde pública no Brasil, sendo os acidentes ofídicos os mais frequentes. O acidente crotálico, causado por serpentes do gênero Crotalus (cascavel), é menos comum que o botrópico, mas possui um quadro clínico sistêmico grave e característico, que exige reconhecimento e tratamento imediatos. O veneno crotálico possui componentes neurotóxicos (crotoxina), miotóxicos (crotamina) e nefrotóxicos. Clinicamente, manifesta-se por neurotoxicidade (facies miastênica, ptose palpebral, diplopia, visão turva), miotoxicidade (dor muscular intensa, rabdomiólise com elevação acentuada de CPK e LDH, mioglobinúria que pode causar urina escura) e nefrotoxicidade (insuficiência renal aguda). Coagulopatia pode ocorrer, mas é menos proeminente que no acidente botrópico. O sangramento nasal e hematúria macroscópica, junto com RNI e TTPa alterados, indicam uma coagulopatia, que pode ser secundária à nefrotoxicidade ou um componente do veneno. O tratamento consiste na administração de soro anticrotálico (SAC) por via intravenosa, cuja dose varia conforme a gravidade. Além disso, medidas de suporte são essenciais, como hidratação vigorosa para prevenir ou tratar a insuficiência renal aguda decorrente da rabdomiólise. O monitoramento da função renal, eletrólitos e CPK é fundamental. O prognóstico é bom com tratamento adequado e precoce, mas o atraso pode levar a sequelas graves ou óbito.
Os principais sinais e sintomas do acidente crotálico incluem neurotoxicidade (facies miastênica, ptose palpebral, diplopia), miotoxicidade (dor muscular, urina escura por mioglobinúria, elevação de CPK e LDH) e nefrotoxicidade (insuficiência renal aguda).
O acidente crotálico se destaca pela neurotoxicidade e miotoxicidade sistêmicas. Já o acidente botrópico (jararaca) é caracterizado por alterações locais intensas (dor, edema, bolhas) e coagulopatia grave com sangramentos (gengivorragia, equimoses, hematúria).
A conduta inicial envolve o uso de soro anticrotálico (SAC) o mais rápido possível, hidratação vigorosa para prevenir ou tratar a insuficiência renal aguda causada pela rabdomiólise, e monitoramento rigoroso das funções renal e neurológica.
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