SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 25 anos de idade, residente na Ilha-do-Marajó no Estado do Pará, foi picado por uma cobra na face lateral da perna esquerda, quando caminhava em área de campo aberto. Inicialmente não apresentou nenhuma sintomatologia; relatava apenas parestesia no local da picada, sem edema, eritema ou dor. Procurou atendimento médico após 12 horas do acidente no Hospital do Município e apresentava ptose bipalpebral e mandibular, oftalmoplegia, mialgias, oligúria e urina escura. De acordo com o caso clínico apresentado, é CORRETO afirmar que:
Acidente Crotálico = Neurotoxicidade (ptose) + Miotoxicidade (urina escura) SEM edema local importante.
O envenenamento por cascavel (Crotalus) causa paralisia neuromuscular e destruição muscular sistêmica, levando ao risco iminente de insuficiência renal aguda por mioglobinúria.
O acidente crotálico representa um dos quadros mais graves de ofidismo no Brasil devido ao potencial de insuficiência renal aguda. A identificação da serpente Crotalus durissus é facilitada pela presença do guizo. O tratamento baseia-se na soroterapia específica (soro anticrotálico) por via intravenosa, cuja dosagem (número de ampolas) depende da gravidade do quadro clínico (leve, moderado ou grave).
O acidente crotálico, causado por cascavéis (Crotalus durissus), é caracterizado por manifestações sistêmicas precoces com sinais locais discretos. O paciente apresenta a 'fácies miastênica de Rosenfeld', composta por ptose palpebral bilateral, oftalmoplegia, midríase e visão turva. Diferente dos acidentes botrópicos, não há edema ou necrose importante no local da picada, apenas parestesia. A ação miotóxica do veneno causa rabdomiólise sistêmica, resultando em mialgia generalizada e liberação de mioglobina, que confere à urina uma coloração escura (avermelhada ou 'cor de coca-cola').
A principal complicação sistêmica e causa de óbito no acidente crotálico é a Insuficiência Renal Aguda (IRA). O mecanismo envolve a toxicidade direta do veneno nos túbulos renais e a deposição de mioglobina (proveniente da rabdomiólise) que causa obstrução tubular e estresse oxidativo. A oligúria ou anúria associada à urina escura são sinais de gravidade. O manejo precoce com hidratação vigorosa para manter o fluxo urinário e a administração rápida do soro anticrotálico específico são cruciais para prevenir o dano renal permanente.
Ambos apresentam neurotoxicidade com ptose e oftalmoplegia, porém possuem fisiopatologias distintas. No acidente elapídico (coral verdadeira), a neurotoxicidade é puramente pré ou pós-sináptica, sem causar lesão muscular (rabdomiólise). Portanto, o paciente elapídico não apresenta mialgia intensa nem urina escura. Já o acidente crotálico combina a neurotoxicidade com uma potente ação miotóxica. Além disso, a presença do guizo ou chocalho na cauda da serpente, se visualizada, é patognomônica da cascavel no Brasil.
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