Acidente com Material Biológico: Conduta e Profilaxia

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2019

Enunciado

Josélia é auxiliar de saúde bucal e trabalha em uma Unidade Básica de Saúde no município de Vitória. Na semana anterior, durante suas atividades de trabalho, após o atendimento diário dos pacientes, ao proceder a lavagem dos materiais e equipamentos utilizados pelo cirurgião dentista durante os procedimentos, teve um dos dedos da mão direita perfurado por uma agulha. Só hoje procurou o Médico de Família e Comunidade, pois ficou preocupada após conversa com a enfermeira. Qual o procedimento correto a ser indicado?

Alternativas

  1. A) Como a notificação tem que ser feita no decorrer da semana epidemiológica, o que já passou, não é necessário fazer a notificação do caso. Deve-se, no entanto, iniciar imediatamente a profilaxia pós-exposição e fazer testes rápidos para HIV e Hepatites Virais para acompanhamento do caso. Orientar expedição de CAT.
  2. B) Deve-se proceder a notificação do acidente, fazer recomendação para expedição de CAT e solicitar sorologias para HIV e Hepatites Virais, repetindo-as em 30 e 90 dias.
  3. C) Deve ser efetuada a notificação do acidente, fazer testes rápidos para HIV e Hepatites Virais e iniciar profilaxia pós-exposição em, no máximo, até 72 horas. Recomendar expedição de CAT.
  4. D) Como não houve necessidade de afastamento do trabalho, não é necessário recomendar expedição de CAT. Mas deve-se fazer a notificação do acidente e iniciar a profilaxia pós-exposição.
  5. E) Como trata-se de agravo de notificação compulsória imediata, tal deve ser efetuado no mesmo dia do atendimento. Caso os testes rápidos para HIV e Hepatites Virais sejam negativos, deve-se iniciar a profilaxia pós-exposição. Orientar expedição de CAT.

Pérola Clínica

Acidente com material biológico → Notificação, CAT, sorologias basais e acompanhamento (30/90 dias), PPE conforme risco.

Resumo-Chave

Em acidentes com material biológico, a notificação é compulsória e a CAT deve ser emitida. A profilaxia pós-exposição (PPE) para HIV tem janela de até 72 horas, mas para hepatites o manejo é diferente. É fundamental coletar sorologias basais do exposto e do paciente-fonte (se conhecido e disponível) e repetir as sorologias do exposto em 30 e 90 dias para monitoramento.

Contexto Educacional

Acidentes com material biológico são eventos críticos na área da saúde que exigem uma conduta padronizada e rápida para minimizar riscos de infecção por patógenos como HIV e vírus das hepatites. A notificação do acidente e a emissão da CAT são etapas obrigatórias. A avaliação do risco de transmissão é fundamental para decidir sobre a profilaxia pós-exposição (PPE). Para HIV, a PPE deve ser iniciada em até 72 horas, idealmente nas primeiras 2 horas. Para Hepatite B, a conduta depende do status vacinal do exposto e do status do paciente-fonte. Para Hepatite C, não há PPE, mas o monitoramento é essencial. A coleta de sorologias basais do exposto e do paciente-fonte (se conhecido) é crucial. O acompanhamento sorológico do exposto, com repetição em 30 e 90 dias, é necessário para detectar soroconversão. A orientação e o suporte psicológico ao profissional também são importantes.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo ideal para iniciar a profilaxia pós-exposição (PPE) para HIV após um acidente?

A profilaxia pós-exposição para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras 2 horas após a exposição, e no máximo até 72 horas. Após esse período, sua eficácia é significativamente reduzida.

Quando é necessário emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)?

A CAT deve ser emitida para todo acidente de trabalho que cause lesão corporal ou perturbação funcional, incluindo acidentes com material biológico, mesmo que não haja afastamento imediato. É um direito do trabalhador e garante seus direitos previdenciários.

Quais sorologias devem ser solicitadas após um acidente com material biológico?

Devem ser solicitadas sorologias basais para HIV, Hepatite B (HBsAg, anti-HBs, anti-HBc) e Hepatite C (anti-HCV) do profissional exposto e, se possível, do paciente-fonte. As sorologias do exposto devem ser repetidas em 30 e 90 dias para monitoramento da soroconversão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo